Evento Promove Diálogo Sobre Inclusão Feminina nas Ciências
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta segunda-feira (4), o evento “Construindo Espaços: Mulheres e Meninas na Ciência”. Proposto pela deputada Luciana Rafagnin (PT), o encontro teve como meta incentivar as novas gerações femininas a se destacarem em um campo que, historicamente, tem um forte predomínio masculino. Rafagnin destacou que a realização desse evento é fundamental para promover um diálogo aberto entre alunos e professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialmente à luz da lei que busca dar visibilidade à participação das mulheres na ciência.
“Hoje, sabemos que a participação feminina nas ciências ainda é relativamente pequena. Apesar de que 57% da população estudantil nas graduações e pós-graduações é composta por mulheres, apenas 43% dos docentes são do sexo feminino. Isso mostra que as mulheres enfrentam barreiras significativas para se formarem e permanecerem atuando, seja na docência ou diretamente na pesquisa científica”, ressaltou a deputada. Ela enfatizou a importância de debates como o promovido no evento, que visam fomentar a equidade de gênero na produção científica.
O evento também buscou estabelecer uma campanha permanente para aumentar a visibilidade da atuação feminina nas ciências exatas e na pesquisa. “Queremos discutir e formular políticas públicas que garantam a permanência das mulheres na ciência e, assim, promover uma verdadeira equidade de gênero nesse meio”, complementou Rafagnin.
Leia também: Feira de Santana Registra 6,2 mil Novos Empregos Formais em 2025 com Foco na Inclusão Feminina
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: MPF Propõe Aumento de Vagas para Mulheres na Escola do Exército | Desigualdade em Foco
Fonte: rjnoar.com.br
Reconhecimento e Inspiração para Novas Gerações
Durante o encontro, a deputada entregou uma menção honrosa à pesquisadora Rita de Cássia dos Anjos, professora associada do Departamento de Engenharias e Exatas (DEE) da UFPR. Rita, que atua na área de astrofísica e é especialista em raios cósmicos e raios gama, foi premiada na 2ª edição do Prêmio Mulheres e Ciência (PMC) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por suas significativas contribuições para o avanço da ciência no Brasil.
“Ser homenageada aqui é uma alegria imensa, especialmente na área de ciências exatas, um incentivo para meninas e mulheres. É gratificante ver que ações estão sendo feitas para incentivar a participação feminina nesse campo. Hoje, vou ter a oportunidade de discutir e apresentar um pouco sobre minha pesquisa em física de altas energias”, declarou Rita.
A pesquisadora se apresenta como um exemplo para futuras cientistas, assim como a estudante de engenharia mecânica Kauana Alessandra dos Santos. A jovem ressaltou a importância de discutir temas que promovem a inclusão feminina nas ciências exatas. “É uma honra estar aqui e discutir sobre um tema tão relevante. Estou no final do meu curso de engenharia mecânica e sempre busquei incentivar meninas e mulheres a ingressarem nessas áreas, que ainda são predominadas por homens”, relatou.
Desafios e Oportunidades no Campo Científico
Kauana, que é apaixonada pelo espaço e por tecnologia desde cedo, destacou a necessidade de mudança no cenário atual. “Estamos trabalhando ativamente para mudar essa realidade e tornar o campo da engenharia mais inclusivo para todas. Participar de projetos que buscam trazer representatividade feminina é essencial”, explicou, enfatizando seu compromisso em ajudar outras meninas a se sentirem acolhidas e representadas.
A vice-reitora da UFPR, Camila Girardi Fachin, também fez questão de ressaltar a importância de encontros como esse para ampliar a presença feminina nas áreas científicas. “Eventos como este são fundamentais para estimular as meninas a ingressarem nas ciências. É preocupante que, na UFPR, apenas um terço dos estudantes em cursos científicos sejam mulheres. Precisamos mostrar que elas podem ser cientistas nas mais diversas áreas, como matemática, química e engenharia”, afirmou.
O debate contou ainda com a participação de várias professoras e especialistas, que compartilharam suas experiências e projetos voltados para impulsionar a presença feminina nas ciências. Entre elas, Rachel Reis, que coordena um projeto que visa reduzir a evasão de estudantes mulheres nos cursos de Computação; e Paula Couto, que coordena um projeto de extensão dedicado à divulgação da matemática em escolas públicas.
