Desafiando Barreiras: A Contribuição Feminina na ciência
No universo da ciência, a dedicação e o compromisso com o aprendizado contínuo são fundamentais para uma carreira de sucesso. Mas como inovar diante dos desafios da maternidade? Durante o mês em celebração ao Dia das Mães, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) destaca relatos de mulheres que conseguiram equilibrar a chegada dos filhos com suas trajetórias profissionais. Hoje, essas mães são reconhecidas por suas valiosas contribuições ao avanço da ciência e inovação no estado.
Um exemplo notável é Lívia Regina Nogueira dos Santos, atual gerente da Agência de Inovação do Tecpar e a primeira mulher a ocupar essa função na história do Instituto. Após o nascimento de suas filhas, Amanda e Gabrielli, Lívia fez uma pausa na carreira para se dedicar à maternidade, retornando ao mercado de trabalho após oito anos. Em 2003, depois de uma demissão inesperada, seu marido a incentivou a realizar seu sonho de cursar uma faculdade. ‘Eu acreditava que não conseguiria, já que estava fora da escola há 12 anos, mas me inscrevi no vestibular. Não tinha condições de pagar um cursinho, então estudei em casa enquanto cuidava das meninas’, relembra.
Conseguir passar no curso de Gestão da Informação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), quando suas filhas já eram adolescentes, trouxe novos desafios: equilibrar trabalho, estudos e as tarefas do lar. No último ano da faculdade, Lívia descobriu que estava grávida de seu terceiro filho, Philipe. Mais uma vez, sua resiliência foi testada. ‘Achava que conseguiria fazer mestrado mesmo com um recém-nascido, mas devido ao estresse, perdi 70% da visão do olho esquerdo e precisei parar. Pedi muito a Deus para recuperar a visão e, no final da gestação, já estava recuperada’, recorda.
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Um mês antes de concluir seu mestrado em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação, em 2017, Lívia recebeu uma convocação para o cargo de Analista de Tecnologia e Inovação no Tecpar. ‘Minha rotina ficou mais tranquila. O Philipe já tinha 6 anos, ia para a escola de manhã e passava a tarde com minha sogra, enquanto eu trabalhava’, recorda.
No Tecpar, Lívia construiu uma carreira marcada por inovações. Ela integrou a equipe que lançou a área de análise de dados e liderou a Divisão de Informações Tecnológicas. Ao ser convidada a chefiar a Agência de Inovação, hesitou antes de aceitar. ‘No início foi complicado, tive que me reinventar. Até hoje estou aprendendo e formando uma boa equipe ao meu redor. Superei os desafios e agora estou em um novo ritmo. Meu filho caçula já tem 15 anos e agora estou desfrutando da minha neta’, celebra.
Apoio e Oportunidades no Ambiente de Trabalho
Thaísa Scheuer, que atua como bolsista no Tecpar, vinculado ao seu mestrado em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, encontrou a oportunidade perfeita para desenvolver sua carreira e ser mãe ao mesmo tempo. ‘Sempre sonhei em ser mãe, mas acreditava que seria difícil conciliar isso com a vida acadêmica, dada a pressão do ambiente universitário. Quando surgiu a possibilidade de trabalhar no Tecpar, foi ideal’, relata.
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Após três anos, Thaísa foi aprovada em um concurso do Tecpar e passou a trabalhar na produção da vacina antirrábica. ‘É um sonho para qualquer profissional da minha área, pois não é comum encontrar uma fábrica de vacinas com tecnologia de ponta’, destaca. O nascimento de sua filha Lia, em 2019, ocorreu enquanto Thaísa gerenciava o setor de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Ela enfatiza a importância da sala de nutriz do Tecpar, um espaço projetado para que as mães possam amamentar e armazenar leite em um ambiente confortável e privado.
‘A sala se tornou essencial, pois, enquanto em casa eu estava apenas amamentando, ao voltar ao trabalho eu passava o dia longe da minha filha. Ali, consegui extrair leite e enviar para a escola no dia seguinte. Esse suporte é fundamental’, afirma. Criada há dez anos, a Sala de Nutriz é parte do Programa de Atenção à Gestante e Nutriz do Tecpar, que visa apoiar as mulheres que retornam ao trabalho após a licença-maternidade.
Maternidade e Carreira: Uma Jornada de Aprendizados
No início de 2023, o nascimento de Clara, a segunda filha de Thaísa, trouxe novos desafios e aprendizados. ‘A maternidade me ensinou paciência e tolerância, mudando minha perspectiva de vida e ajudando a priorizar o que realmente importa’, reflete. Hoje, Thaísa trabalha na área de garantia da qualidade e assuntos regulatórios da vacina antirrábica e no Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), que está sendo construído. ‘O CIV representará um grande desafio, pois será a primeira vez que começamos uma planta do zero, planejando e executando para assegurar que tudo esteja conforme’, destaca.
Adrianne Correia, procuradora jurídica do Tecpar, também aborda a importância do apoio à maternidade na legislação brasileira. ‘As leis deveriam fortalecer as bases que permitem que as mães criem seus filhos com estabilidade e sejam reconhecidas pelo trabalho que realizam’, argumenta. Com 35 anos de experiência na área jurídica, Adrianne acredita que, apesar dos desafios, conseguiu criar seus filhos, Bernardo e Roberta, com sucesso. ‘Os homens estão mais envolvidos na criação dos filhos, mas o número de mães solo que necessitam de apoio ainda é alto. Durante minha carreira, precisei me dividir entre o trabalho e os cuidados com a família, especialmente quando minha filha foi diagnosticada com refluxo no rim, o que exigiu muita organização e suporte da família’, ressalta.
Em suma, as histórias dessas mulheres revelam não só os desafios enfrentados na conciliação entre carreira e maternidade, mas também as oportunidades que surgem quando há apoio e compreensão no ambiente de trabalho. Elas são exemplos de que é possível inovar e contribuir para a ciência, mesmo diante das adversidades.
