Investigação sobre o Desembargador e o Quadriciclo
Em meio a um crescente debate sobre a conduta dos juízes no Brasil, a Construtora Zoller, com sede em Curitiba, informou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obteve indícios de que o desembargador Francisco Carlos Jorge, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), teria recebido um quadriciclo avaliado em R$ 62,5 mil em troca de uma decisão favorável em um processo judicial. O relato chegou ao CNJ no dia 28 de março, como parte de um Pedido de Providências que a construtora apresentou contra o magistrado.
A alegação da empresa é de que foi prejudicada por uma decisão do desembargador, que reverteu decisões anteriores da câmara do TJPR. O pedido formal foi assinado pela advogada Maria Tereza Uille, que possui um histórico de atuação no CNJ, onde foi conselheira por dois mandatos e ocupou o cargo de secretária de Justiça do Paraná.
A investigação particular, também apresentada à Presidência do TJPR no dia 27 de abril, trouxe à tona evidências que incluem depoimento do administrador da loja que vendeu o quadriciclo, uma nota fiscal registrada em nome do filho do desembargador e uma imagem postada no Instagram, onde seus netos aparecem pilotando o veículo. Essas provas foram entregues ao CNJ como parte do processo de apuração.
A assessoria do TJPR foi contatada para comentar sobre a situação, mas apenas informou que o tribunal seguirá as orientações do CNJ. Em nota, o CNJ corroborou a abertura de um procedimento investigativo com o objetivo de apurar as alegações de irregularidades.
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Fonte: odiariodorio.com.br
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Contexto das Punições para Juízes
A denúncia surge em um momento em que discute-se a possibilidade de punições mais rigorosas para juízes no Brasil. Em março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, anunciou o fim da aposentadoria compulsória como a penalidade mais severa, sugerindo que a perda do cargo e do salário deveria ser a consequência mais grave para violações disciplinares cometidas por magistrados. Essa mudança tem gerado intensos debates no meio jurídico.
Dados mais recentes do CNJ, divulgados em dezembro de 2025, indicam que há mais de 2 mil pedidos de providências contra juízes, além de centenas de reclamações disciplinares e processos administrativos que aguardam julgamento.
Alegações da Construtora Zoller
A polêmica em torno da conduta do desembargador remonta a um processo judicial iniciado em 1993, quando a Construtora Zoller foi processada pelo atraso no pagamento de aluguéis. A sócia da empresa, que atuou como fiadora do contrato, alegou que, devido a falhas na comunicação judicial, ficou sem conhecimento das decisões até 2020 e pediu a anulação do processo.
Os advogados da construtora afirmam que estavam ganhando a causa até que a parte contrária contratou um novo advogado, que conseguiu reverter as decisões em 2024. Segundo eles, essa reviravolta ocorreu durante a análise dos embargos de declaração, um recurso que tem como função esclarecer pontos da decisão anterior.
De acordo com a Construtora Zoller, a nova decisão do desembargador Jorge ‘ressuscitou’ uma dívida que, segundo a empresa, foi calculada em R$ 14 milhões — quantia contestada, pois a construtora alega que o valor real seria de R$ 288,5 mil.
Informações adicionais de sua investigação indicam que, logo após a decisão favorável à parte contrária, o advogado Michel Guerios Netto, recém-contratado, teria ido a uma loja em Curitiba e escolhido um quadriciclo vermelho, pago em dinheiro vivo por uma terceira pessoa. Posteriormente, o filho do desembargador trocou o modelo por um mais caro, resultando em uma nova nota fiscal emitida em seu nome, o que estabeleceu uma conexão documental entre o quadriciclo e a família do magistrado.
Posicionamentos e Respostas
Em resposta às acusações, o advogado Michel Guerios Netto negou qualquer envolvimento e afirmou que as alegações são infundadas. Ele declarou que está tomando todas as medidas judiciais cabíveis para se defender e refutou conhecer qualquer membro da família do desembargador.
O CNJ, por sua vez, reafirmou que está conduzindo a apuração sobre o caso, solicitando esclarecimentos adicionais aos envolvidos e aguardando um relato detalhado da Construtora Zoller, bem como informações de outros magistrados que participaram do processo.
