Ampliação do exame DNA-HPV no Paraná
O Paraná avança de forma significativa no combate ao câncer do colo do útero, com a ampliação da oferta do exame de DNA-HPV para todos os municípios do estado. Durante a 2ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) de 2026, realizada em Curitiba, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) oficializou a expansão desse exame, que será disponibilizado para cerca de 328 mil mulheres da faixa etária de 25 a 64 anos, público-alvo da iniciativa.
Desenvolvida no Brasil pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), em parceria com o Governo do Estado e a Fiocruz, a tecnologia molecular do DNA-HPV apresenta maior sensibilidade que o método tradicional do exame citopatológico, conhecido como papanicolau. Essa inovação permite a detecção precoce dos tipos de HPV que podem causar câncer, facilitando intervenções médicas antes do desenvolvimento de lesões.
Impacto na prevenção e no sistema público de saúde
O processo de implementação do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná começou em outubro de 2025, quando o estado foi um dos 12 selecionados para participar da fase piloto nacional. Inicialmente, Curitiba e Rio Branco do Sul foram os municípios pioneiros entre novembro de 2025 e maio de 2026. Agora, o teste será descentralizado, ampliando o acesso em todo o território estadual.
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Segundo dados oficiais, para 2026 são esperados cerca de 1.120 novos casos de câncer de colo do útero no Paraná. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, reduzindo a incidência para menos de quatro casos por 100 mil mulheres. Atualmente, o estado registra 13 casos para cada 100 mil mulheres, o que reforça a importância da adoção do DNA-HPV para reverter esse cenário.
Vantagens do exame molecular em relação ao papanicolau
O secretário estadual da Saúde, César Neves, destaca que o exame molecular por DNA-HPV permite identificar a presença dos tipos cancerígenos do vírus com antecedência, possibilitando o cuidado médico precoce. “Junto com a vacina do HPV, é atualmente a melhor metodologia disponível para prevenção”, afirma.
Além da maior eficácia, o teste traz mais conforto para as pacientes, pois o intervalo entre as coletas pode ser estendido para cinco anos, enquanto o exame citopatológico exige realização anual e, após dois resultados normais consecutivos, um intervalo de três anos. A coleta será realizada nas unidades de saúde municipais, com envio do material ao Laboratório Central do Estado (Lacen) e processamento molecular em laboratório de referência no Rio de Janeiro.
Suporte às prefeituras e importância da vacinação
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, reforça que o Estado oferecerá todo o suporte necessário às prefeituras, incluindo insumos, orientações e capacitação para garantir o sucesso da implantação do novo exame. “Estamos no caminho certo para atingir a meta de redução dos casos, com trabalho sério e compromisso”, assegura.
Além do rastreio molecular, a vacinação contra o HPV continua sendo a principal medida de prevenção primária, disponível para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos na rede pública. A vacina protege contra o câncer de colo do útero, além de outros tipos de câncer relacionados ao HPV, como os de pênis, ânus, uretra e garganta, além de prevenir condilomas.
Para adolescentes de 15 a 19 anos que não foram vacinados até os 14 anos, a Sesa informa que a etapa de resgate da vacinação estará disponível até junho de 2026, reforçando a importância da imunização para a prevenção da doença.
