O papel da tecnologia e da análise de dados no mercado imobiliário
O avanço tecnológico e a evolução das ferramentas de análise de dados têm transformado o setor imobiliário, mas o que realmente move esse mercado são as pessoas e seus desejos. Essa percepção foi reforçada recentemente durante o Fórum de Competitividade sobre Inteligência Estratégica no Novo Mercado Imobiliário, promovido pelo World Trade Center Curitiba (WTC Curitiba), no Lounge GT Building da mostra CASACOR 2026.
O encontro reuniu especialistas do setor para discutir o futuro das cidades, o comportamento dos consumidores e os principais desafios habitacionais que impactam Curitiba e outras regiões. Os debatedores foram Geninho Thomé, presidente da GT Company, Carlos Eduardo Canto, presidente da Confraria Imobiliária, e Guilherme Werner, sócio da Brain Inteligência Estratégica.
Mercado imobiliário curitibano: desafios e polarização
Durante o debate, ficou claro que, apesar das mudanças tecnológicas, o que permanece constante é a busca das pessoas por um lugar para chamar de lar. Carlos Eduardo Canto, que mediou a discussão, ressaltou que o mercado imobiliário não é feito de concreto, mas sim de sonhos e necessidades humanas.
Geninho Thomé reforçou essa visão ao relacionar sua experiência na odontologia, onde ajudava a devolver a autoestima com um sorriso, à incorporação imobiliária, cujo foco é acomodar famílias para que vivam felizes. “O propósito segue o mesmo: construir lares que acolham as pessoas com excelência e afeto”, afirmou.
Curitiba enfrenta um cenário complexo e polarizado. Dados apresentados por Guilherme Werner indicam que, enquanto 48% das famílias brasileiras ainda desejam adquirir um imóvel, a cidade enfrenta um déficit na produção de habitação social para baixa renda. Mais da metade da população local pode comprar imóveis apenas pelo programa Minha Casa Minha Vida, mas a oferta para esse público representa menos de 8% dos lançamentos, segundo o Sinduscon-PR.
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Fonte: amapainforma.com.br
Marcelo Braga, presidente do Sinduscon-PR, chamou atenção para a legislação local, que dificulta financeiramente a construção de unidades populares dentro do município. Isso acaba expulsando essa parcela da população para a região metropolitana, causando desequilíbrios urbanos e sobrecarga no transporte coletivo.
Essa dinâmica resultou na polarização do mercado curitibano: de um lado, a cidade lidera o lançamento de imóveis compactos no país; do outro, tem um mercado robusto de imóveis de luxo e superluxo, que representam cerca de 15% da oferta total. O segmento de média renda, por sua vez, enfrenta um impasse entre aspirações e limitações financeiras, agravado pelas altas taxas de juros, caracterizando um produto para “quem quer não pode comprar, e quem pode não quer”.
Oportunidades no mercado sênior e incentivos para baixa renda
O envelhecimento da população brasileira traz uma nova demanda habitacional que o mercado imobiliário ainda não atende completamente. A cada 38 segundos, surge um novo brasileiro com mais de 60 anos, criando um mercado expressivo e estável para imóveis que ofereçam segurança, convivência e autonomia.
Em Curitiba, há uma carência de mais de 20 mil unidades específicas para o público sênior. Para amenizar essa lacuna, o governo do Paraná e a prefeitura criaram programas de subsídios considerados referência nacional. A Cohapar oferece R$ 80 mil de subsídio para pessoas acima de 60 anos que adquirirem imóveis de até R$ 280 mil dentro do programa Minha Casa Minha Vida.
Além disso, para famílias de interesse social, o estado concede R$ 20 mil em subsídios para compras via Cohab, complementados por mais R$ 10 mil da prefeitura, totalizando R$ 30 mil em incentivos na capital paranaense.
Mercado sólido e sem riscos de bolha
Sobre os receios de uma possível bolha imobiliária, Guilherme Werner explicou que o Brasil conta com fundamentos robustos. A relação crédito/PIB é de apenas 11,8%, muito abaixo dos índices que desencadearam crises em outros países. Em Curitiba, menos de 10% do estoque de imóveis está pronto, contrastando com os mais de 35% registrados entre 2012 e 2015, evidenciando um consumo saudável ao longo do ciclo de obras.
O investimento imobiliário no Brasil é majoritariamente patrimonialista e voltado para uso próprio, o que reduz a especulação e reforça a estabilidade do mercado.
Encerrando o evento, a presidente do WTC Curitiba, Daniella Abreu, destacou que o mercado imobiliário paranaense segue forte, maduro e confiável para investidores e compradores, desde que pautado na solidez das marcas, na qualidade dos projetos e, sobretudo, no respeito às necessidades humanas.
