Romário destaca a falta de comprometimento dos jogadores na seleção
O desempenho aquém do esperado da seleção brasileira na Copa do Mundo 2024 tem gerado debates intensos, e Romário, campeão mundial em 1994, não poupou críticas. Para ele, o principal problema está na atitude dos jogadores quando vestem a camisa do Brasil. Em entrevista à Folha de S.Paulo, direto de Nova York, onde acompanha a equipe e cumpre compromissos comerciais, o ex-atacante lamentou a postura da equipe, especialmente no empate por 1 a 1 contra Marrocos, na estreia do torneio.
Romário afirmou categoricamente que os principais nomes convocados pelo técnico Carlo Ancelotti não reproduzem o futebol apresentado em seus clubes. “Nem um pouco”, declarou. O ex-jogador ressaltou que o fator atitude está muito abaixo do esperado para um time com a tradição da seleção brasileira.
Oscilação de Vinicius Júnior e expectativa de reação de Raphinha
O Baixinho citou Vinicius Júnior como um exemplo claro dessa oscilação entre o desempenho no clube e na seleção. Apesar da crítica, Romário mantém a esperança na evolução do atacante do Real Madrid. “O Vini que a gente quer é aquele Vini que jogou contra o Marrocos”, comentou, enfatizando a necessidade de o jogador manter o padrão de atuação.
Além disso, Romário demonstrou confiança em outros atletas que podem mudar sua postura durante o Mundial. Entre eles, destacou Raphinha, a quem atribui potencial para dar um “estalo” e melhorar a atitude dentro de campo. “Eu acredito que ele vai mudar a atitude dentro do jogo”, afirmou.
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Falta de lideranças no elenco preocupa Romário
Aos 60 anos, Romário mantém o físico de atleta e comentou que, se estivesse no vestiário durante o intervalo da partida contra Marrocos, teria tomado a dianteira para cobrar o grupo. Porém, ele destaca que atualmente não vê nenhum jogador com capacidade de liderança suficiente para assumir essa responsabilidade. “Não vejo liderança nesse time do Brasil. As pessoas falam que o Marquinhos pode ser líder, o Casemiro pode ser líder. Cara, não vejo isso não”, criticou. “Pelo menos dentro do campo não me passam nem um pouco [de confiança].”
Mesmo diante dessa crítica, Romário não atribui toda a responsabilidade ao técnico Carlo Ancelotti. Ele defende que os jogadores são os maiores responsáveis pelo desempenho da seleção, e que o treinador, apesar do currículo, não pode ser visto como figura central para o sucesso da equipe. “O treinador não faz gol. E o treinador bom, na minha opinião, é aquele que não atrapalha. Por mais que ele tenha sua relevância, seu tamanho, seu peso, quem ganha jogo são os jogadores”, explicou.
Polêmica renovação de Ancelotti e posicionamento sobre declarações do técnico
Romário classificou como precipitada a decisão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de renovar o contrato de Ancelotti antes do término da Copa do Mundo. “Uma atitude muito ruim. Eu não renovaria antes de terminar a Copa do Mundo”, opinou. Ele ainda pontuou uma situação hipotética e improvável de eliminação precoce, questionando a permanência do treinador nesse cenário.
O ex-atacante também criticou declarações de Ancelotti, especialmente quando o técnico afirmou que a seleção precisaria ter medo para alcançar o sucesso. Romário rejeitou essa ideia veementemente. “A seleção não pode ter medo de ninguém, não existe ter medo de ninguém. Se você entra com medo de algum adversário, tu já entra perdido”, declarou. Segundo ele, a postura correta seria que os adversários sentissem medo da seleção brasileira, algo que, em sua avaliação, não ocorre mais, como demonstrou a partida contra Marrocos.
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Propostas de mudanças no time e visão sobre a conexão com a torcida
Diante do desempenho da estreia, Romário defendeu mudanças no elenco para as próximas partidas. Ele sugeriu a inclusão de jogadores mais jovens, citando Endrick e Rayan como opções capazes de marcar gols e dar novo ânimo ao time. “Os dois são fazedores de gol. Um é mais forte e o outro é mais técnico, mas os dois sabem fazer gol”, destacou. Além disso, defendeu a utilização de Neymar, caso o camisa 10 esteja em condições clínicas para o confronto contra o Haiti, marcado para sexta-feira (19).
Apesar das críticas, Romário acredita no potencial mobilizador da seleção em uma campanha vitoriosa. “A Copa do Mundo tem esse poder no nosso país”, afirmou, ressaltando que o evento pode levar o brasileiro a esquecer, ainda que momentaneamente, os problemas negativos e a sorrir.
Por outro lado, o ex-jogador apontou uma crescente desconexão entre a seleção e a torcida. Para ele, a geração atual não compreende o alcance que uma conquista mundial tem para além do futebol. “A seleção brasileira não consegue conectar com o povo. Esse é um problema sério. Essa conexão não acontece”, lamentou.
Atuação de Romário durante a Copa do Mundo
Enquanto acompanha a seleção na Copa do Mundo, Romário mantém seu mandato de senador. Ele também participa como comentarista em algumas partidas do torneio, atividade considerada compatível com suas funções legislativas, conforme nota de seu gabinete. “Basta ver o número de senadores e deputados que exercem outras funções em paralelo ao mandato”, explicou.
