Reconhecimento e Ações para o Lipedema em Curitiba
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) está avaliando um projeto de lei apresentado pela vereadora Rafaela Lupion (PSD) que visa aprimorar a atenção ao lipedema, uma condição crônica que afeta principalmente mulheres. O objetivo é promover conscientização, diagnóstico precoce, acolhimento humanizado e encaminhamentos adequados no Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade. Conforme destaca a justificativa, “o lipedema não é apenas uma questão estética, é uma condição que impacta em todos os aspectos da vida da mulher”.
A proposta busca instituir a Política Municipal de Atenção Integral às Pessoas com Lipedema, incorporando o tema às estratégias municipais de saúde da mulher. Além disso, prevê a inclusão do assunto nos programas de educação permanente para profissionais da rede municipal e em campanhas públicas de divulgação. O lipedema é caracterizado como uma doença crônica, sistêmica e progressiva do tecido conjuntivo, com acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores, podendo ocasionar dor, edema, sensibilidade ao toque, hematomas espontâneos e comprometimento funcional e psicossocial (005.00183.2026).
Diretrizes para Atendimento e Tratamento no SUS
O projeto autoriza o Poder Executivo a promover campanhas educativas, capacitações e parcerias com instituições públicas, privadas, universidades, conselhos profissionais e entidades da sociedade civil. Essas iniciativas têm o propósito de fortalecer a formação profissional, fomentar pesquisas, desenvolver protocolos clínicos e estabelecer diretrizes terapêuticas, sempre em conformidade com as normas do SUS e órgãos reguladores.
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Valoriza-se o atendimento multiprofissional e interdisciplinar, adaptado à estrutura de cada unidade de saúde. Entre os tratamentos conservadores previstos estão a drenagem linfática manual, terapia compressiva, orientação nutricional, acompanhamento psicológico e fisioterapêutico. O texto também prevê avaliações para procedimentos cirúrgicos reparadores quando indicados clinicamente, além de incentivar protocolos específicos para o manejo do lipedema nas esferas primária, secundária e terciária da atenção à saúde.
Conscientização e Inclusão no Calendário Oficial
A iniciativa busca combater o desconhecimento, o subdiagnóstico e a ausência de protocolos específicos para o lipedema, condição frequentemente confundida com obesidade ou linfedema, o que pode atrasar o diagnóstico de 10 a 15 anos. Estima-se que entre 11% e 39% das mulheres no mundo e cerca de 12,3% no Brasil sejam afetadas pela doença.
O projeto propõe ainda a inclusão no calendário oficial de Curitiba do Mês de Conscientização e Divulgação sobre o Lipedema, a ocorrer anualmente em junho, em sintonia com o Junho Roxo, instituído pela Lei Estadual nº 22.036/2024. Durante esse período, poderão ser promovidas campanhas educativas, palestras, seminários, ações de mobilização social e a iluminação de prédios públicos na cor roxa. A prioridade será a divulgação dos sinais e sintomas, a diferenciação do lipedema em relação a outras condições clínicas e a importância do diagnóstico precoce.
