Encontro histórico de Brasil x Haiti no coração de Curitiba
Na noite fria de sexta-feira, 19 de maio, o campo do Operário Pilarzinho, em Curitiba, virou palco de uma celebração que foi além do futebol. Enquanto milhões acompanhavam o confronto entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, uma comunidade inteira vivia intensamente esse momento, transformando o bairro em um cenário que remeteu a Porto Príncipe, capital haitiana.
Em meio a bandeiras e camisas das duas nações, um grande telão instalado no clube da Suburbana transmitia o jogo que terminaria com o placar de 3 a 0 para a seleção brasileira. Contudo, o resultado ficou em segundo plano diante da atmosfera de confraternização e irmandade que dominava o espaço.
Tradição e cultura haitiana marcam presença no Pilarzinho
Antes mesmo do apito inicial, o aroma da sopa tradicional haitiana, Soup Jomou, já anunciava a importância daquele encontro. Preparada em dois grandes panelões, a sopa feita à base de abóbora foi servida gratuitamente, simbolizando mais que alimento: representava resistência, identidade e a independência do Haiti da França, conquistada em 1º de janeiro de 1804.
Laurette Bernardi Louis, presidente da Associação para a Solidariedade dos Haitianos no Brasil (ASHBRA), destacou o significado da sopa na cultura de seu país. “Quando a França colonizou o Haiti, até para comer enfrentávamos dificuldades. A independência nos permitiu preparar essa sopa como símbolo de vitória”, explicou Laurette, que vive em Curitiba desde 2010.
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A presença haitiana no Paraná e o vínculo com o futebol brasileiro
A comunidade haitiana é o segundo maior grupo migratório contemporâneo no Paraná, atrás apenas dos venezuelanos. Dados do Observatório Regional de Governança Migratória do Paraná (ORGMIGRA) indicam que cerca de 35 mil haitianos vivem no estado em 2026, sendo mais de 1.500 naturalizados brasileiros.
Para Laurette, o amor dos haitianos pelo Brasil vai além do futebol. “Essa conexão nasceu há muito tempo, antes mesmo de eu nascer. O Haiti aprendeu a conhecer o Brasil através do futebol, mas o carinho é pelo povo brasileiro como um todo”, afirmou.
Uma torcida dividida e um sentimento de pertencimento
No campo, crianças das duas nacionalidades brincavam despreocupadas, criando sua própria Copa. Já os adultos, especialmente Emmanuel Saint-Holin, técnico em informática de 37 anos, viviam a emoção de ver as duas seleções em confronto. Oriundo de Porto Príncipe e com passagem por países como Turquia e Egito, Emmanuel desembarcou em Curitiba há três meses e sonha em obter o passaporte brasileiro.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
“É um dia histórico porque Haiti e Brasil são como um só país. Hoje torcemos pelo Haiti, mas em qualquer outro jogo somos Brasil”, afirmou. Ele reforçou o sentimento de pertencimento que une as duas comunidades no Paraná, mesmo com o coração dividido naquele momento.
Clima de emoção e expectativa até o apito final
Quando os hinos foram executados, o ambiente se encheu de emoção. As atenções se voltaram para o campo, onde cada lance da seleção haitiana fazia o Pilarzinho prender a respiração. Apesar dos gols brasileiros que modificaram o cenário, a confraternização e o espírito comunitário permaneceram até o fim do jogo, reforçando a importância do encontro para ambas as comunidades.
Essa noite no Operário Pilarzinho ficou marcada não só pelo placar, mas pela demonstração de união e respeito entre brasileiros e haitianos, evidenciando o impacto do esporte na integração social e cultural em Curitiba.
