Brasil e Japão se enfrentam na semifinal da Copa do Mundo de 2026
Na tarde desta segunda-feira, 29 de junho, às 14 horas, o Brasil disputa uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026 contra o Japão. A partida, que promete ser um marco no torneio, ganhará um acompanhamento especial no Templo Budista Jodoshu Nippakuji, localizado no bairro Guabirotuba, em Curitiba. O local reúne brasileiros descendentes de japoneses e membros da comunidade budista para assistir juntos ao confronto que conecta as duas nações por meio do esporte e da cultura.
Monge budista de Curitiba reflete sobre a torcida dividida
Entre os torcedores presentes estará Akiyoshi Oeda, 46 anos, monge budista da tradição Jodoshu, nascido em Sendai, na região de Tohoku, Japão. Ele acompanha o crescimento da seleção japonesa com entusiasmo, mas reconhece a complexidade do momento. “Quando joga o Brasil, normalmente torço para que vença. Já quando joga o Japão, torço pelo meu país. Agora os dois vão se enfrentar e será muito interessante. Eu nasci no Japão, mas fiz parte da minha vida aqui”, comenta.
Oeda chegou ao Brasil em 2003 como missionário da escola budista Jodoshu, que possui mais de 850 anos de história e cerca de 7 mil templos no Japão. Em 2007, recebeu o convite para iniciar um projeto em Curitiba, onde não havia templo nem comunidade estruturada da sua tradição. “No início, fiquei seis meses em um hotel enquanto procurávamos um lugar para começar nossas atividades. Era difícil porque ninguém conhecia o templo ainda. Tive que ir atrás, participar de eventos, divulgar e construir a comunidade aos poucos”, relata.
Construindo uma comunidade budista em Curitiba
Quase vinte anos depois, o cenário mudou significativamente. O templo próprio, inaugurado no ano passado, ampliou suas atividades, incluindo cerimônias religiosas, meditação, estudos sobre budismo e oficinas culturais. Para Oeda, Curitiba foi a cidade que escolheu para viver e desenvolver sua missão. “Quando vim para Curitiba, decidi que não iria mais me mudar. Aqui a cidade tem um tamanho bom, o clima é agradável e é muito boa de se viver”, afirma.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Casado com uma japonesa que conheceu em São Paulo, Oeda criou três filhos em Curitiba e considera a cidade sua casa. “Hoje eu sinto que tenho ligação com os dois lugares. O Japão continua sendo parte de quem eu sou, mas Curitiba também virou minha casa. Foi aqui que construí comunidade, família e minha história”, reflete.
Conexão cultural entre Brasil e Japão
Para o monge, a base da cultura japonesa está no respeito e na gratidão, valores que mantêm a comunidade unida mesmo distante de sua terra natal. “No Japão, existe a ideia forte de que tudo está conectado e que ninguém vive sozinho. Respeitar as pessoas, agradecer e cuidar do ambiente ao redor são princípios fundamentais”, explica.
Essa visão, segundo ele, ajuda a fortalecer os laços entre brasileiros e japoneses, que compartilham intercâmbios culturais e até mesmo paixão pelo futebol. “É outro lado do mundo, mas parece próximo. Brasileiros vão para o Japão, japoneses vêm para cá, e o futebol é uma ponte que aproxima as culturas”, destaca.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
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Expectativa para o confronto e futuro do futebol japonês
Apesar de torcer pelo Japão, Oeda reconhece o desafio que o time enfrenta contra o Brasil, atual favorito. “O jogo será difícil, mas o Japão se fortaleceu muito. Muitos jogadores atuam em ligas importantes fora do país e o time joga com mais confiança. Quem sabe no futuro o Japão possa até ser campeão do mundo”, avalia.
No templo, a partida será acompanhada por uma torcida dividida, com brasileiros e japoneses torcendo pelos seus países, mas assistindo juntos. Para Oeda, esse momento simboliza a relação entre Brasil e Japão: “Cada um torce por um lado, mas todos assistem juntos. Isso representa bem a convivência e aproximação entre os dois países”, conclui.
Durante toda a Copa, o templo tem aberto suas portas para acompanhar os jogos em um clima de confraternização, integrando as partidas às cerimônias e atividades regulares da comunidade.
