Confirmação do tornado em Reserva
Meteorologistas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmaram que a cidade de Reserva, nos Campos Gerais do Paraná, foi atingida por um tornado no domingo, 28 de janeiro. Reserva está localizada a aproximadamente 220 km de Curitiba, capital do estado. O fenômeno foi classificado como tornado F2 na Escala Fujita, indicando ventos entre 180 km/h e 253 km/h, capazes de causar danos significativos, como árvores arrancadas, destelhamentos e destruição parcial de construções.
De acordo com o Simepar, os ventos em Reserva chegaram a 200 km/h, um nível que evidencia a força do fenômeno. Além disso, no mesmo dia, diversas regiões do Paraná sofreram com fortes rajadas, granizo e chuvas intensas, incluindo a comunidade rural de Imbú, onde vivem cerca de 130 pessoas. O temporal ocorrido durante a noite provocou destruição: telhados foram arrancados e até um carro foi arrastado pela força dos ventos.
Danos e impacto local
A prefeitura local contabilizou 11 casas com danos importantes e cerca de 50 pessoas afetadas diretamente. Dessas, 10 precisaram deixar suas residências e buscar abrigo na casa de familiares ou amigos, enquanto uma pessoa sofreu ferimentos leves. Além das residências, a vegetação e veículos da região também foram severamente atingidos pelo vento e pelo granizo, reforçando a intensidade do tornado.
As inspeções começaram no dia seguinte ao evento, 29 de janeiro, e no dia 1º de fevereiro, equipes do Simepar e da Defesa Civil Estadual realizaram um mapeamento aéreo da área afetada usando drones equipados com sensores de geointeligência, capazes de detalhar os danos causados pelo fenômeno.
Investigação e características do tornado
Durante a vistoria, os técnicos conversaram diretamente com os moradores para compreender a dinâmica da tempestade. Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar, os sinais coletados foram decisivos para confirmar a ocorrência do tornado. Entre os indícios estavam árvores de grande porte arrancadas pela raiz, copas de araucárias destruídas e destroços espalhados em diferentes direções, caracterizando o movimento rotacional típico dos tornados.
Além disso, galhos foram encontrados arremessados por dezenas de metros e uma placa de sinalização foi lançada a mais de 150 metros. Esses elementos permitiram a classificação do fenômeno como tornado F2, com ventos em torno de 200 km/h.
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Fonte: omanauense.com.br
Diferença entre tornados e outros fenômenos meteorológicos
O Simepar explica que, diferentemente de microexplosões atmosféricas ou rajadas de vento, que deslocam destroços numa única direção, os tornados são reconhecidos pelo padrão de destruição em espiral, que deixa um rastro claro de rotação. Essa característica foi confirmada durante as inspeções visuais e análises de imagens feitas pela equipe técnica.
Escala Fujita e classificação dos tornados
Para medir a intensidade dos tornados, o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional, já que no Brasil a Escala Fujita Aprimorada (EF) ainda não é adotada oficialmente. A classificação baseia-se na avaliação dos danos causados a estruturas como casas, galpões, árvores e postes, estimando a velocidade do vento que passou pelo local por pelo menos três segundos. A escala varia de F0 a F5, com ventos que vão de 65 km/h a mais de 500 km/h, classificando o nível de destruição causado.
Para referência, tornados F2, como o que atingiu Reserva, apresentam ventos entre 180 km/h e 253 km/h e causam danos consideráveis.
Histórico recente de tornados no Paraná
Nos últimos meses, o Paraná registrou uma série de tornados. Entre o final de 2025 e início de 2026, cinco tornados foram documentados no estado. Em novembro de 2025, uma tempestade de categoria F3 devastou Rio Bonito do Iguaçu, destruindo 90% dos imóveis da cidade com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.
No mesmo período, Guarapuava e Turvo também sofreram com tornados classificados como F2. Em janeiro de 2026, um tornado F1 atingiu Mercedes, no oeste do estado, com ventos de até 120 km/h. Em São José dos Pinhais, outro tornado F2 foi registrado, com ventos que chegaram a 180 km/h e percurso de cerca de 1 km, embora nem sempre tocando o solo.
Paraná: um dos maiores corredores de tornados do mundo
O Paraná está situado em uma das regiões mais suscetíveis à formação de tornados no planeta, ocupando o segundo maior corredor global, atrás apenas das pradarias centrais dos Estados Unidos. Essa área é caracterizada por relevo plano e baixas altitudes, condições que facilitam o desenvolvimento desses fenômenos.
A combinação de massas de ar quente e frio na região torna o território paranaense especialmente vulnerável a tornados e tempestades severas. A professora Karin Linete Hornes, especialista em tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), destaca que além do Paraná, outros estados do Sul do Brasil e países vizinhos também fazem parte dessa zona propensa.
Segundo Hornes, sistemas convectivos, frentes frias e ciclones no litoral contribuem para a instabilidade atmosférica, criando o cenário ideal para tornados, vendavais e quedas de granizo. Esses eventos climáticos impactam diretamente a vida das pessoas e a infraestrutura das cidades da região.
Este episódio recente em Reserva reforça a importância de monitoramento constante e ações rápidas para minimizar os efeitos dessas tempestades severas no cotidiano da população paranaense.
Assina Carlos Eduardo Moura, que explica inovação e transformação digital com clareza, sem hype, sempre conectando tecnologia a efeito concreto.
