Denúncia por mortes na UTI pediátrica
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou uma médica pela morte de seis crianças na UTI pediátrica do hospital privado Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, a cerca de 20 quilômetros de Curitiba. As tragédias ocorreram entre maio e julho de 2024 e foram motivadas por choque séptico e falência múltipla de órgãos, causados por uma contaminação hospitalar com bactérias multirresistentes.
As vítimas incluem recém-nascidos que estavam sob os cuidados na unidade. A médica denunciada, que era diretora técnica da UTI pediátrica, responde ao processo que tramita em segredo de justiça.
Acusações de negligência e falhas na biossegurança
Segundo o promotor de Justiça Éder Teodorovicz, a profissional agiu com grave negligência, omitindo-se da fiscalização e da aplicação dos protocolos básicos de assepsia e biossegurança. Entre as práticas consideradas inaceitáveis estão a reutilização de luvas entre pacientes diferentes, a falta de banhos regulares, manuseio inadequado de intubações e acessos venosos, além do uso incorreto de fraldas nas crianças.
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A denúncia foi apresentada na sexta-feira, 14, e recebida pela Justiça na segunda-feira, 17, conforme informou o MPPR. A acusação é por homicídio culposo, que ocorre quando não há intenção de matar.
Possíveis consequências jurídicas e reparação às famílias
O advogado especialista em direito da saúde, Gabriel Bergamo, explica que, caso seja comprovada a inobservância dos procedimentos corretos, a pena para cada homicídio pode variar de 1 ano e 4 meses a 4 anos de prisão, com possibilidade de aumento de até um terço.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público solicitou um valor mínimo de reparação de R$ 50 mil para cada uma das seis famílias afetadas. O hospital Angelina Caron pode ser responsabilizado também na esfera cível, caso se confirme a falha na adoção dos protocolos de higiene e fiscalização.
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Fonte: belembelem.com.br
Em nota, o hospital afirmou não ter recebido nenhuma citação oficial sobre o processo e ressaltou o compromisso com a segurança dos pacientes e o cumprimento das normas técnicas, sanitárias e assistenciais. A instituição promete colaborar com as autoridades assim que for formalmente notificada.
Contexto e atuação do hospital Angelina Caron
Com 40 anos de atuação, o hospital Angelina Caron emprega mais de 2.000 colaboradores, incluindo 350 médicos em 30 especialidades, e oferece serviços de média e alta complexidade. Segundo dados divulgados pela própria instituição, são realizados cerca de 1 milhão de procedimentos anualmente, com atendimento a mais de 128 mil pacientes em 2025.
Em 8 de agosto, o ministro da Saúde Alexandre Padilha visitou o hospital durante uma agenda do governo federal no Paraná, reforçando a relevância da unidade para a região.
