Reaproveitamento de Materiais Impulsiona Economia Local
No Litoral do Paraná, materiais antes descartados ganham nova vida como produtos que geram renda e oportunidades de Negócios. O evento Conexão Litoral, que reúne representantes de sete municípios, destaca o uso inovador de couro de peixe, vidro e embalagens para estimular o desenvolvimento econômico regional.
Mais de mil pessoas já participaram do encontro, que prossegue nesta sexta-feira (21) na AB Eventos, em Pontal do Paraná. Os estandes mostram alternativas para a economia local por meio do reaproveitamento, transformando resíduos em itens comercializáveis. Essa prática aproxima empreendedores de áreas distintas e abre portas para parcerias entre pequenos negócios da região.
Couro de Peixe: Resíduo da Pesca que Ganha Valor
Um exemplo marcante é o couro de peixe, obtido a partir das peles recolhidas em bancas e mercados de pescado. Após um processo de curtimento, o material se torna matéria-prima para artesanato e acessórios, além de ser vendido para artesãos e indústrias. A Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), liderada por Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida, utiliza peles de robalo, linguado, pescada-amarela e peixe-porquinho.
O grupo envolve diretamente 16 pessoas, além de outros trabalhadores nas etapas da produção. Ana Maria destaca que antes do projeto, as peles eram descartadas até mesmo na beira da praia. Hoje, transformam-se em bolsas, cintos, calçados, colares, brincos e outros acessórios, gerando valor e renda para a comunidade.
O próximo desafio da associação é ampliar o mercado. A procura pelo couro de peixe cresceu, especialmente após a obtenção da primeira Indicação Geográfica do Brasil para o produto. A participação no Conexão Litoral já resultou em contatos com potenciais parceiros interessados em ampliar a produção e envolver mais pessoas.
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Vidro Reciclado Ganha Novas Formas e Funções
Em Matinhos, a Fundição Guará transforma vidros descartados de portas, janelas e garrafas em peças de arte e acessórios, submetendo o material a altas temperaturas para moldá-lo. Em 2025, cerca de 33 toneladas de vidro foram reaproveitadas. Maria de Fátima Ferreira, artista vidreira da associação, ressalta que essa prática reduz o descarte e cria empregos para profissionais especializados.
Hoje, a fundição conta com 15 artistas vidreiros e busca ampliar sua rede de profissionais e consumidores. Um dos desafios é capacitar novos especialistas e valorizar esse tipo de produção. Eventos como o Conexão Litoral são fundamentais para dar visibilidade à técnica e atrair apoiadores.
Embalagens Reutilizadas Fortalecem Pequenos Negócios
O reaproveitamento também cria conexões entre negócios locais em Guaratuba. Vera Mietz, produtora de kombucha, entrega embalagens limpas para artesãs da região, que transformam o material em brinquedos e objetos de decoração. Ana Lúcia Garcia, uma dessas artesãs, usa garrafas PET, madeira, metal, plástico e outros materiais para criar peças que estimulam a criatividade infantil e a reutilização.
Embora o artesanato ainda não seja sua principal fonte de renda, Ana Lúcia busca ampliar o mercado e a valorização do trabalho. O Conexão Litoral ajudou a divulgar seu trabalho e a estabelecer conexões com outras iniciativas de reciclagem.
Sustentabilidade Integrada à Gestão do Evento
O Conexão Litoral também pratica a sustentabilidade em sua organização. Desde o planejamento, o evento adotou ações ambientais e sociais para reduzir e monitorar impactos, como a gestão de resíduos com coleta seletiva, reciclagem e compostagem. Parcerias locais garantem a destinação correta dos materiais coletados.
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Além disso, o evento realiza um inventário de emissões de gases de efeito estufa para orientar ações de redução e compensação, visando a meta Carbono Zero. Recursos de acessibilidade e inclusão estão presentes, assim como indicadores para avaliar os resultados das ações.
Joelson Carvalho Jorge, consultor do Sebrae/PR, destaca que a sustentabilidade pode agregar valor econômico e social aos pequenos negócios. Ele explica que o reaproveitamento reduz desperdícios e abre novas oportunidades de mercado, mostrando que práticas sustentáveis se relacionam diretamente com o crescimento econômico.
Durante o evento, a Associação Municipal dos Coletores de Resíduos Sólidos de Pontal do Paraná (AMCORESPP) atua na separação, enfardamento e venda dos resíduos coletados, reintegrando-os ao ciclo produtivo e gerando renda para os associados. A presidente Alyne Souza ressalta a conexão entre as pautas ambientais e as atividades econômicas locais.
Ao final do evento, a pesagem dos materiais recicláveis e rejeitos permitirá dimensionar os resíduos gerados, evidenciando como o descarte pode voltar à economia como matéria-prima e renda, reforçando o potencial dos negócios sustentáveis no Litoral do Paraná.
