Primeira-dama é vaiada durante comício em Curitiba
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, foi vaiada por moradores de prédios próximos ao comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no sábado (12) na Boca Maldita, área central de Curitiba. A reação contrária aconteceu enquanto Janja falava aos apoiadores presentes no evento político. Durante sua fala, ela incentivava o público a acessar uma página com comparativo entre os governos Lula e o anterior, por meio de um QR Code exibido no local.
Ao se referir aos adversários políticos, Janja afirmou que eles agem com raiva e ódio, e que o eleitor verá o que é melhor nas urnas. Quando as vaias começaram a partir dos prédios próximos, ela interrompeu a fala e tranquilizou os presentes: “Não liga não. Vamos seguir aqui”.
Contexto eleitoral e evento político em Curitiba
A manifestação ocorreu um dia após pesquisa Datafolha mostrar empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto para as eleições presidenciais, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O levantamento indica 39% das intenções para Lula contra 35% para Flávio no primeiro turno, e 46% para o presidente contra 44% para o senador no segundo turno.
O ato “Brasil pronto pra mais” contou com a presença de Lula, candidato à reeleição, Requião Filho (PDT), candidato ao governo do Paraná, assim como os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A Boca Maldita, palco do evento, já havia recebido comício de Lula durante a campanha de 2022.
Lula destaca investigações sobre senador adversário
Durante o discurso, o presidente Lula abordou as recentes revelações do caso Master, que envolve o senador Flávio Bolsonaro. Lula citou a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mencionou supostos vínculos entre uma empresa de Flávio e Negócios ligados ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
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Ao falar sobre o Banco Master, Lula acusou que a família Bolsonaro teria criado um banqueiro que foi preso e teve o banco fechado por supostos golpes que totalizam R$ 60 bilhões. Documentos divulgados na sexta-feira (11) indicam que Flávio teria atuado como intermediário de Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, em meio a investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades e afirma que se trata de um patrocínio privado.
A divulgação parcial dos documentos do Banco Master ganhou destaque político após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitar a liberação completa do material, após questionamento da Procuradoria-Geral da República.
Empresas ligadas a Flávio Bolsonaro são mencionadas
Lula também mencionou uma reportagem sobre a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio e Carlos Bolsonaro entre os sócios. A companhia está registrada no Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF), endereço que também abriga pelo menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos sobre benefícios do INSS.
O levantamento apontou ainda que a Bravo Grafeno utiliza serviços da Voga Serviços Contábeis, empresa ligada a Alexandre Caetano dos Reis, que também se relaciona com companhias de Antunes. Lula destacou que, apesar das conexões, o compartilhamento de endereço e vínculos profissionais não comprovam participação de Flávio Bolsonaro ou da Bravo Grafeno nas irregularidades apuradas.
Essas referências surgem em um momento em que a campanha presidencial intensifica a discussão sobre as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também pediu esclarecimentos sobre o caso, ressaltando que “ninguém está acima da lei”.
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Presidente defende aumento da renda e investimentos
Além das críticas, Lula falou sobre a importância de melhorar a renda e as condições de vida da população. Destacou a necessidade de educação e salários dignos para que as pessoas possam cuidar do país. O presidente afirmou que os investimentos promovidos pelo governo devem trazer benefícios tanto para as famílias quanto para o Estado.
Esse discurso acompanha dados recentes do IBGE que indicam deflação de 0,32% no IPCA em agosto. Com isso, a inflação acumulada desde janeiro de 2023 até agosto de 2026 atingiu 17,9%, a menor alta para esse período desde o início do Plano Real, em 1994.
A queda nos preços foi influenciada principalmente pela redução de 7,63% na energia elétrica residencial, devido ao bônus de Itaipu, além de recuos em alimentos e transportes. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,22%, abaixo do teto de 4,5% da meta oficial.
Apesar da desaceleração, a inflação acumulada não indica queda no nível geral de preços, mas sim uma alta menos intensa. O cenário ainda é marcado por juros elevados, com a taxa Selic em 14% ao ano, enquanto o mercado projeta um novo corte na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para 15 e 16 de setembro.
