Vikings na América: Uma Jornada por Etapas
A chegada dos vikings ao continente americano não foi marcada por festas ou grandes celebrações. Eles não cruzaram o Atlântico diretamente, mas seguiram uma rota que passou por etapas, utilizando a Islândia e a Groenlândia como pontos de apoio. Suas viagens foram registradas séculos depois em sagas que misturam história e literatura épica.
Esses navegadores nórdicos alcançaram a América do Norte cerca de 500 anos antes da expedição de Cristóvão Colombo.
Flateyjarbók: O Manuscrito que Revela a Colonização Nórdica
As sagas nórdicas, que contam as histórias dos vikings, ganharam reconhecimento como fontes históricas confiáveis. Um exemplo é o Flateyjarbók, manuscrito islandês do século 14 considerado um dos mais valiosos documentos da Islândia. Em 1893, quando os organizadores da Exposição Universal de Chicago solicitaram o empréstimo do manuscrito para celebrar a viagem de Colombo, os dinamarqueses recusaram, mesmo diante de garantias extremas, incluindo o envio de um navio de guerra e um seguro milionário.
O motivo dessa resistência está no conteúdo do documento, que narra a colonização nórdica da Groenlândia no século 10 e descreve a descoberta e tentativa de colonização da América do Norte pelos vikings, cinco séculos antes de Colombo.
Descobertas Arqueológicas Confirmam as Sagas
Em 1960, arqueólogos encontraram um acampamento utilizado pelos vikings em L’Anse aux Meadows, na ilha de Terra Nova, Canadá. Técnicas mais recentes de datação revelaram em 2021 que o local foi ocupado pelos nórdicos cerca de mil anos atrás. Esse acampamento provavelmente serviu de base para expedições a outras áreas da América do Norte.
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Robin Ellis, em um episódio da série documental Timewatch, descreveu esse momento como o início de uma história esquecida: períodos em que europeus visitaram a América em viagens sem registros escritos, deixando apenas vestígios nas águas.
Rota Viking e Exploração do Norte
Os vikings chegaram à Islândia por volta do ano 870 e, cerca de cem anos depois, alcançaram a Groenlândia. De lá, atravessavam aproximadamente 320 km pelo estreito de Davis até a ilha de Baffin, no Canadá, chamada por eles de Helluland, ou “terra das lajes de pedra”.
As sagas relatam que os navegadores seguiram pela costa até o sul, passando por Labrador, nomeada Markland, a “terra das florestas”, e mais ao sul até Vinland, ou “terra das videiras”. Emily Lethbridge, da Universidade da Islândia, destaca que os vikings não se fixaram em um único ponto, mas exploraram várias regiões durante anos.
Erik, o Vermelho, e o Parlamento Viking
Erik, o Vermelho, figura central nas sagas, chegou à Islândia por volta do ano 960, depois que seu pai foi expulso da Noruega por assassinato. Os islandeses haviam criado o Althing em 932, um parlamento nacional ao ar livre, realizado anualmente para debater leis e resolver conflitos, em um cenário natural único, situado em um desfiladeiro que forma um anfiteatro geológico entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia.
O Althing decretava penas severas, incluindo o banimento da Islândia, como punição para crimes graves. Em 982, Erik foi expulso do país após uma disputa violenta, o que o levou a descobrir a Groenlândia, onde estabeleceu uma colônia que duraria cerca de 500 anos e serviu de base para as expedições rumo à América do Norte.
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Expedições Viking e a Permanência na América do Norte
Os vikings, liderados por Leif Eriksson, filho de Erik, realizaram não apenas uma, mas várias viagens à América do Norte. O arqueólogo Robert McGhee, do Museu Canadense da Civilização, ressalta que evidências arqueológicas indicam que essas viagens continuaram esporadicamente por dois ou três séculos após a chegada inicial.
Colombo e o Conhecimento Prévio da América
Historiadores como Kirsten Seaver apontam que, durante a Idade Média, houve navegações constantes entre a Groenlândia e a América do Norte. Por volta de 1480, tentativas foram feitas para alcançar a América do Norte diretamente, sem passar pela Groenlândia. Documentos indicam que Cristóvão Colombo tinha conhecimento dessas viagens, inclusive uma carta de John Day, em 1497, relata que navegadores ingleses já faziam a travessia há anos.
Quando Colombo chegou às Bahamas em 1492, é possível que soubesse da região chamada pelos vikings de Vinlândia. Há teorias que sugerem que ele escolheu rotas mais longas para evitar essa área, buscando contornar a América em direção às riquezas do Extremo Oriente.
O arqueólogo McGhee destaca que Colombo optou por uma rota direta e mais longa, diferente do caminho mais curto pelo norte, talvez para evitar a Vinlândia, que não fazia parte de seus objetivos.
Legado e Reconhecimento das Viagens Viking
Embora o Dia de Colombo seja comemorado nos Estados Unidos anualmente, é fundamental reconhecer que os vikings já haviam cruzado o Atlântico séculos antes, deixando um legado de exploração e colonização que desafia as narrativas tradicionais. Essas viagens mostram a coragem e a determinação de povos dispostos a enfrentar desafios enormes para descobrir novas terras.
