Uso de Geotecnologias para Preservação do Solo
A Embrapa Soja (PR) em parceria com a Itaipu Binacional aplicou drones, softwares avançados e dados precisos sobre a disponibilidade hídrica no solo para aprimorar as práticas de conservação do solo no Paraná. A iniciativa focou em um diagnóstico detalhado da eficiência dos terraços, estruturas essenciais no controle da erosão e na infiltração da água, utilizando ferramentas digitais para propor melhorias práticas.
Os resultados obtidos na bacia hidrográfica do município de Toledo (PR), localizada a oeste do estado, indicam uma redução significativa da erosão e uma triplicação na capacidade de armazenamento de água no solo, demonstrando impacto direto na sustentabilidade agrícola da região.
Redimensionamento dos Terraços com Base Científica
O pesquisador Júlio Franchini, da Embrapa, destaca que o foco do estudo foi integrar a taxa de infiltração do solo, modelos digitais de elevação e Sistemas de Informação Geográfica (SIGs) para aprimorar o dimensionamento dos terraços. Tradicionalmente, a avaliação desses sistemas levava em conta apenas aspectos geométricos como altura e largura, uma abordagem que se mostrou insuficiente diante dos eventos climáticos extremos recentes.
Franchini explica que a metodologia empregada utilizou parâmetros hidrológicos e ferramentas digitais para identificar falhas estruturais e ineficiências nos terraços existentes, o que abriu caminho para a modernização dessas estruturas.
Contexto Regional e Aplicação Prática
A bacia hidrográfica de Toledo (PR) tem características similares a cerca de dois milhões de hectares no Paraná, tornando o estudo uma referência importante para outras áreas do estado. A análise incluiu variáveis que otimizam tanto a retenção de água quanto a resiliência do solo, especialmente dentro do sistema plantio direto (SPD).
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Os terraços são estruturas tradicionais, utilizadas para organizar o fluxo de água e prevenir a erosão. Contudo, o estudo revelou que muitos terraços atuais apresentavam desempenho abaixo do esperado, com falhas hidráulicas e rompimentos, o que não era detectado pelos métodos convencionais baseados apenas em medidas geométricas.
Urgência nas Intervenções Após Chuvas Extremas
Em outubro de 2017, a região da bacia de Toledo enfrentou um evento climático severo, com precipitação de 160 mm em cerca de 18 horas. Esse episódio causou o transbordamento dos terraços e perda estimada de 7.500 m³ de solo, evidenciando a necessidade urgente de revisão dessas estruturas.
O redimensionamento foi implementado em 115 hectares da microbacia, utilizando modelos digitais de elevação captados por drones e o software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Essa intervenção substituiu 43 terraços ineficientes por 29 reprojetados, aumentando a altura média de 0,26 m para 0,72 m e elevando a capacidade de retenção de água de 22 mm para 71 mm.
Adaptação às Novas Tecnologias Agrícolas
Outro desafio abordado foi a adaptação dos terraços aos maquinários modernos, que são maiores e mais pesados, dificultando a circulação entre terraços tradicionais e aumentando a compactação do solo. Com isso, a distância horizontal média entre os terraços foi ampliada de 28 m para 51 m, com espaçamento vertical aproximado de 3 m, facilitando o tráfego das máquinas.
Entre 2019 e 2024, a microbacia de Toledo enfrentou diversas chuvas intensas, superiores a 30 mm por dia, sem apresentar erosão ou sulcos, comprovando a eficácia dos novos terraços em interceptar o fluxo de água e sedimentos, preservando o solo e ampliando o armazenamento hídrico.
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Avanços Conceituais na Avaliação dos Terraços
Para fundamentar cientificamente o redimensionamento, o pesquisador Henrique Debiasi, também da Embrapa Soja, introduziu o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER). Esta medida avalia o volume de água que um terraço pode reter em relação ao escoamento superficial gerado pela chuva, permitindo uma classificação mais precisa das estruturas em condições seguras, marginais ou propensas a falhas.
Essa tipologia facilita a identificação de áreas críticas e fornece subsídios técnicos para intervenções direcionadas, distinguindo quando o manejo do solo é suficiente e quando são necessárias reformas estruturais ou reconfigurações nos sistemas de terraceamento.
Implicações para Políticas Públicas e Gestão Territorial
Franchini e Debiasi ressaltam que essa metodologia oferece um arcabouço operacional replicável para outras bacias hidrográficas do Paraná, com potencial de influenciar políticas públicas relacionadas à conservação do solo e da água em larga escala.
Além de subsidiar decisões técnicas sobre reformas em terraços, o estudo contribui para a gestão preventiva e o planejamento territorial, fortalecendo a sustentabilidade ambiental e econômica das regiões agrícolas.
