Crescimento e mudança no perfil econômico do Centro de Curitiba
O Centro de Curitiba passou por uma transformação significativa na última década. Dados da Prefeitura de Curitiba mostram que entre 2016 e 2026 o número de alvarás de funcionamento na região central da cidade aumentou de forma expressiva, alterando também o perfil das atividades econômicas presentes. Enquanto o comércio tradicional perde espaço, os serviços especializados, principalmente nas áreas jurídica, administrativa e de tecnologia, assumem protagonismo.
Pesquisa realizada pelo Bem Paraná, com base na Base de Alvarás da Secretaria Municipal de Finanças, indica que o total de alvarás na região subiu de 36.595 em outubro de 2016 para 47.384 em outubro de 2026, um aumento de 29,5%, representando quase 11 mil novos registros na última década. Importante destacar que esse crescimento não representa necessariamente o mesmo número de estabelecimentos físicos.
Comércio perde espaço enquanto serviços ganham participação
A expansão do número de alvarás não ocorreu de maneira uniforme entre os setores. Em 2016, o comércio varejista concentrava 6.634 alvarás, participando com 18% do total. Já em 2026, o comércio cresceu apenas 1,8%, com 6.756 registros, mas sua participação caiu para 14,2%, uma redução de 3,8 pontos percentuais.
Por outro lado, o setor de serviços teve avanço expressivo, passando de 24.625 para 34.805 alvarás, um crescimento de 41,3%. Consequentemente, sua participação no total de alvarás do Centro subiu de 66,9% para 73,3%. Esse movimento reflete uma mudança clara no perfil econômico da região, que se destaca no ranking das atividades econômicas mais presentes.
Advogados assumem liderança, lojas de roupas perdem espaço
Em 2016, as lojas de roupas eram a atividade mais comum no Centro, com 1.691 alvarás, seguidas por cabeleireiros (1.414), médicos (942), serviços advocatícios (865) e restaurantes (808). Dez anos depois, o cenário mudou bastante. Os serviços advocatícios dobraram e passaram para o topo, com 1.729 alvarás, superando as lojas de roupas, que caíram para a segunda posição, com 1.628 registros.
Leia também: Nova tecnologia em fundição de alumínio fortalece indústria automotiva no Paraná
Leia também: Tecnologia Inovadora Potencializa Conservação do Solo no Paraná
Curiosamente, o número de cabeleireiros permaneceu estável em 1.414 alvarás. No entanto, o setor de tecnologia despontou com destaque, com duas atividades que estavam fora das 90 mais comuns em 2016 alcançando as dez primeiras posições em 2026.
Explosão da tecnologia e serviços administrativos no Centro
A consultoria em tecnologia da informação (TI) saltou da 94ª posição em 2016 para a sexta em 2026, passando de 84 para 929 alvarás, um crescimento impressionante de 1.006%. De forma semelhante, o desenvolvimento de software avançou do 96º para o 10º lugar, com um aumento de 863%, alcançando 790 registros.
Além disso, os serviços de escritório e apoio administrativo tiveram aumento ainda mais expressivo em números absolutos, crescendo 195,3%, de 465 para 1.373 alvarás, subindo da décima para a quarta posição. Esse avanço supera até mesmo os serviços advocatícios em crescimento absoluto.
Mais da metade dos negócios antigos permanece no Centro
Apesar das mudanças, uma parcela significativa dos estabelecimentos registrados em 2016 ainda consta nos registros atuais. De 36.595 alvarás em 2016, 20.241 permanecem em 2026, correspondendo a 55,3%. Uma análise detalhada, cruzando número, nome empresarial e endereço, indica que 51,9% dos registros antigos mantêm correspondência nos três critérios.
Leia também: Profissionais em Alta no Paraná: Veja os Cargos Mais Requisitados e Salários até R$ 71 Mil
Leia também: Terras Raras no Paraná: Potencial Estratégico para a Indústria Global
Essa permanência indica uma estabilidade cadastral importante, mesmo com as transformações econômicas da região. Isso não significa que todos esses negócios funcionaram ininterruptamente, mas mostra que mais da metade dos registros anteriores ainda estão ativos na base municipal.
Variação na renovação cadastral entre setores
As taxas de permanência cadastral variam bastante conforme a atividade. Entre os que tinham pelo menos 100 alvarás em 2016, os maiores índices de continuidade foram observados entre pesquisadores de mercado (90,6%), manicures (90,3%), digitadores (90,1%), artesãos (89,7%) e pedreiros (89,3%). Cabeleireiros (89%), garçons (88,9%) e motoristas de táxi (86,3%) também apresentaram alta permanência.
Já nas atividades com menor correspondência destacam-se suporte técnico de TI (23,1%), estética e cuidados de beleza (27,3%), atendimento médico ambulatorial (29%), treinamento profissional e gerencial (29,9%) e estacionamentos de veículos (30,5%). Serviços combinados de escritório e holdings não financeiras também tiveram baixa permanência, apesar de crescimento em número de alvarás.
Os dados indicam que a renovação cadastral acompanha a transformação econômica do Centro. Atividades que cresceram muito em número de registros apresentam taxas menores de correspondência, refletindo maior rotatividade ou mudança nos negócios. Porém, essas taxas não confirmam a sobrevivência contínua, apenas a presença dos registros nas duas bases analisadas.
