Impacto do Cenário Econômico nas Vendas
A Agrishow, uma das principais feiras do agronegócio brasileiro, finalizou sua edição de 2026 com uma movimentação de R$ 11,4 bilhões. Este valor representa uma queda significativa de 22% nas intenções de negócios em comparação ao ano anterior, 2025. Segundo o balanço divulgado pela organização do evento, a retração está atrelada ao baixo desempenho dos segmentos de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem, influenciados pelo aumento das taxas de juros e pelos custos elevados no campo.
Para que as vendas se concretizem, é necessário passar por um processo que inclui aprovações cadastrais, análises bancárias e a garantia de contratos, uma série de etapas que pode levar dias para serem finalizadas. Durante a feira, vendedores observaram que esta 31ª edição teve um número reduzido de compradores. Um dos participantes, que atende a 38 revendas de máquinas, relatou à reportagem que apenas 4 dessas revendas estiveram presentes no evento, e até o penúltimo dia de feira, não haviam realizado nenhuma compra.
Ainda que o volume de negócios tenha diminuído, a afluência de público se manteve estável. Nos cinco dias de evento, a Agrishow recebeu aproximadamente 197 mil visitantes, um número parecido com o da edição anterior e ligeiramente abaixo da expectativa inicial que era de 200 mil participantes.
Conforme dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o desempenho da Agrishow reflete a desaceleração geral do setor agrícola. No primeiro trimestre deste ano, as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno apresentaram uma queda de 19,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, explica que essa situação decorre de uma combinação de fatores. “A alta taxa de juros, a variação cambial e os preços desfavoráveis das commodities estão influenciando esse cenário”, destacou.
Apesar do ambiente desafiador, os organizadores da Agrishow acreditam na continuidade dos investimentos. João Marchesan, presidente da feira, concedeu uma entrevista ao programa CNN Agro, onde ressaltou que, apesar de viver um período difícil nos últimos três anos, a feira continua a investir em inovações para a agricultura tropical no Brasil. “Estamos comprometidos em trazer o que há de melhor para o setor”, afirmou.
Marchesan também trouxe à tona a natureza cíclica do agronegócio, expressando otimismo em relação à recuperação nos próximos anos. Ele acredita que, embora o presente momento seja desfavorável, há uma expectativa de que não só este, mas os próximos anos trarão novas oportunidades. “Temos a convicção de que estaremos prontos para atender à demanda do mercado brasileiro”, concluiu.
