Legado e despedida de uma estrela
A atriz Laura Cardoso faleceu aos 98 anos, deixando uma trajetória que impactou profundamente o entretenimento brasileiro. Reconhecida por sua dedicação e talento, a artista manteve contrato vitalício com a TV Globo e marcou gerações com seus personagens na teledramaturgia. Em nota oficial, a emissora ressaltou: “Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”.
Carreira iniciada no rádio e pioneirismo na televisão
Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni nasceu em 1927 no bairro do Bixiga, em São Paulo, filha de imigrantes portugueses. Começou no rádio aos 15 anos, na Rádio Cosmos, onde participou de radioteatros e construiu os primeiros passos da carreira. Foi na rádio que conheceu seu marido, Fernando Baleroni, com quem teve duas filhas, Fernanda e Fátima.
Em 1952, estreou na TV Tupi no programa “Tribunal do Coração”, entrando para a história como uma das pioneiras da televisão brasileira. Ao longo de mais de sete décadas, acumulou mais de 100 trabalhos, incluindo mais de 60 novelas em canais como Tupi, Excelsior, Record, Cultura e Globo. Na TV Globo, estreou em 1981 na novela “Brilhante” e destacou-se em papéis memoráveis como Isaura em “Mulheres de Areia” (1993) e Guiomar em “A Viagem” (1994).
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Reconhecimento e prêmios ao longo da carreira
Laura Cardoso recebeu importantes premiações, como o Shell de Teatro em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural em 2006 e o Troféu APCA de melhor atriz por sua atuação em “Irmãos Coragem” (1995). Seu último papel nas novelas foi Matilde Azevedo em “A Dona do Pedaço”. Mesmo afastada desde 2019, participou da inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo em 2025 e gravou a tradicional vinheta de fim de ano da emissora.
Contribuições no cinema, dublagem e visão sobre a vida
Além da televisão, a atriz brilhou no cinema com mais de 20 filmes. Também teve papel importante na dublagem brasileira, dando voz à personagem Betty em “Os Flintstones” na década de 1960. Entre seus filmes de destaque estão “Terra Estrangeira” (1995) e “Através da Janela” (2000), este último lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.
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Conhecida por sua energia e amor ao trabalho, Laura defendia que o artista deve continuar atuando enquanto puder. Sobre a morte, afirmou em 2006: “A gente se aposenta quando vai embora”. Em entrevista de 2019, comentou de forma leve: “É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. Amo a vida, agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai embora”.
