O Paraná se consolida como um polo tecnológico no Brasil
O Estado do Paraná se firmou como o quarto maior polo de tecnologia do Brasil, com cerca de 40 mil empresas atuando no setor, representando aproximadamente 10,5% do total nacional, de acordo com informações do Invest Paraná. Em 2024, o faturamento do setor no estado alcançou impressionantes R$ 55 bilhões, resultado que reafirma a posição do Paraná no ranking nacional do setor tecnológico, conforme levantamento realizado pelo Observatório Acate. Além disso, o estado ocupa a segunda posição no que diz respeito aos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento.
Investimentos e apoio à inovação
Para fomentar esse ambiente de inovação, o governo paranaense tem adotado a estratégia denominada “tríplice hélice”, que busca integrar de forma sinérgica o poder público, as empresas e as instituições de ensino. Em abril deste ano, a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) lançou a terceira edição do programa Paraná Anjo Inovador, que oferece subvenção econômica para startups com um edital que prevê um total de até R$ 10 milhões em investimentos, beneficiando cerca de 40 empresas com repasses de R$ 250 mil para cada projeto selecionado.
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Com os editais já em andamento, o governo estadual já destina R$ 47 milhões ao desenvolvimento de iniciativas inovadoras, sem exigir contrapartida financeira das empresas. Até o momento, 148 startups já foram atendidas por esse programa, evidenciando o compromisso do estado com o avanço tecnológico.
Parques tecnológicos como impulsionadores de startups
A startup curitibana Typcal, que foi selecionada no primeiro edital, recebeu um investimento de US$ 2 milhões da aceleradora belga Biotope. Eduardo Bittencourt, CTO da Typcal, destacou que encontrou no Paraná um ecossistema que promove a conexão entre empresas, universidades e instituições de pesquisa de maneira eficaz. Ele enfatizou que o ambiente local foi fundamental na estratégia de crescimento da empresa, que atua com micélio como alternativa de proteína natural.
Outra startup, a e.Feito Social, que está instalada no Parque Tecnológico da Indústria Habitat Senai, foi contemplada no segundo edital e recebeu R$ 250 mil para desenvolver uma plataforma que facilita a destinação de parte do imposto de renda para projetos sociais. A CEO da empresa, Mariana Ravedutti, explica que a ferramenta conecta pessoas físicas a iniciativas sociais, promovendo uma cultura de doação e simplificando o processo de destinação.
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Atualmente, o Paraná abriga mais de 30 parques tecnológicos e ambientes de inovação, incluindo o Vale do Pinhão e o Tecpar em Curitiba, o Agrovalley em Londrina, o Itaipu Parquetec, o Parque de Ciência e Tecnologia de Ponta Grossa (Parque Tec) e o Parque Tecnológico Maringatech. Mariana Ravedutti ressalta que esse ambiente estimula testes e protótipos, oferecendo segurança para transformar ideias em produtos concretos.
Incentivos fiscais e programas de apoio
O programa ICMS Paraná Inovador, implementado em 2024, oferece incentivos fiscais a empresas dos setores de equipamentos eletrônicos, telecomunicações e informática que estão localizadas em municípios com instituições de ensino técnico e tecnológico. Os benefícios incluem o adiamento do pagamento do ICMS na importação de componentes e a possibilidade de converter integralmente os investimentos em créditos tributários. As empresas são incentivadas a utilizar softwares desenvolvidos no Brasil, preferencialmente no Paraná, e devem realizar um investimento mínimo de R$ 360 mil.
Além disso, o governo estadual lançou, em março, o programa Impulso Inovador, uma iniciativa da SEIA em colaboração com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que destinará R$ 2,4 milhões para apoiar startups em estágio inicial. Nesta fase, 60 empresas serão escolhidas para receber capacitações, mentorias e workshops, além de até R$ 40 mil cada.
Thiago Marcelino, diretor de inovação da SEIA, afirmou que o Sistema Paranaense de Inovação (SPI) está em processo de consolidação e busca integrar de forma mais eficaz as áreas de ciência, tecnologia e inovação do estado. Este modelo é fundamentado nas interações entre governo, universidades, setor produtivo e sociedade.
Manoel Souza, CTO da Trio, uma instituição de pagamentos com sede em Curitiba, analisa que o Paraná possui vantagens competitivas em relação a outros estados, como um custo operacional equilibrado, qualidade de vida e um ecossistema ainda não saturado. Contudo, ele ressalta que ainda há espaço para evolução, especialmente na conexão entre a academia e o mercado, no acesso a capital para startups e na internacionalização das empresas.
