O cenário do debate na TV Globo
A três dias do primeiro turno das eleições presidenciais, a TV Globo promove às 21h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (01/10) o tradicional debate entre os candidatos, ocupando pela primeira vez o horário nobre da novela, logo após o Jornal Nacional. A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que optou por não participar do confronto, já marca o evento antes mesmo de seu início.
Lula não compareceu a nenhum debate com outros candidatos no primeiro turno destas eleições, adotando uma estratégia semelhante àquela que utilizou no debate promovido pela Band em 23 de agosto, quando concedeu entrevista à Record no mesmo horário. Nesta quinta, ele concederá entrevista ao Flow Podcast, às 20h45.
Participantes e decisões judiciais
Participarão do debate os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). A inclusão de Zema foi determinada na última terça-feira (29/09) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, após o partido Novo solicitar que fosse considerada a atual contagem de parlamentares, que atingiu cinco membros, e não o número eleito em 2022. A legislação prevê que candidatos de partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso tenham presença assegurada nos debates; para os demais, o convite é facultativo às emissoras.
Além disso, a TV Globo informou que poderá convidar outro candidato caso algum dos convocados não participe, como é o caso do presidente Lula. A campanha de Renan Santos (Missão) ingressou com liminar no TSE para garantir a participação do candidato no debate, com base nas regras da emissora que preveem o convite ao candidato melhor posicionado nas pesquisas caso um participante obrigatório desista. Segundo levantamento divulgado em 28 de setembro pela Quaest, Renan Santos aparece em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás somente de Lula e Flávio Bolsonaro.
Contexto dos debates e posicionamento dos candidatos
Até o momento, apenas um debate entre os presidenciáveis foi realizado, promovido pela Band em 23 de agosto, com participação de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Flávio Bolsonaro, que não compareceu a esse encontro, confirmou presença no debate da Globo, mesmo sem a participação de Lula. Na pesquisa agregada da BBC News Brasil, o petista tem 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 38% de Flávio Bolsonaro.
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Em entrevista coletiva realizada em Goiânia (GO) no domingo (27/09), Flávio Bolsonaro declarou: “Vou no debate da Globo. Está confirmado aqui. Ele que lute. Eu quero ir para lá debater com ele. Estou chamando o Lula para o debate: ‘Lula, quero você no debate da Globo, vem debater comigo, porque vou mostrar que o meu projeto de Brasil é melhor que o seu'”.
Formato e dinâmica do debate
O debate será mediado pelo jornalista César Tralli, apresentador do Jornal Nacional, e terá quatro blocos: dois com temas determinados e dois com temas livres, além das considerações finais. A dinâmica se desenvolverá em torno de um mapa do Brasil posicionado no centro do cenário, que servirá para abordar temas regionais e tópicos específicos, como a preservação da Amazônia, segurança nas fronteiras, combate ao crime organizado e desafios na infraestrutura para exportações brasileiras.
Os candidatos poderão escolher temas predefinidos no telão para formular perguntas entre si. O participante que fizer a pergunta terá dois minutos para formular a questão e fazer a réplica, enquanto o candidato que responde contará com três minutos para responder e apresentar a tréplica. Após o término do debate, todos serão convidados à sala de imprensa para entrevistas coletivas de até 10 minutos.
A transmissão será ao vivo pela TV Globo, com acompanhamento simultâneo pela GloboNews, g1 e Globoplay, alcançando o público nacional e internacional. Este será o último confronto televisivo antes da votação em 4 de outubro.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Impactos da ausência de Lula
A decisão de Lula de não participar deve ser explorada pelos candidatos presentes e evidenciada pelas regras do debate. Segundo reportagem do jornal O Globo, o presidente teria manifestado preferência por não participar para evitar ser alvo de ataques com pouco tempo para resposta.
Durante o debate, a cadeira reservada a Lula ficará vazia, identificada com uma placa com seu nome. Quando chegar o momento em que ele deveria formular uma pergunta, o mediador lembrará ao público sobre sua ausência, destacando o espaço na transmissão. Essa medida vale para qualquer candidato ausente.
No segundo bloco, durante a rodada de temas livres, cada participante terá até 30 segundos para formular a pergunta que faria a Lula, candidato ausente. Em seguida, escolherá um dos presentes para continuar a dinâmica normal do debate.
A possível participação de Renan Santos pode elevar a intensidade da discussão, aumentando o número de candidatos dispostos a confrontar Flávio Bolsonaro. Marco Antonio Teixeira, professor da FGV São Paulo, observa que “Renan tem sido o crítico mais ácido de Flávio no campo da direita, inclusive com um nível de agressividade muito grande”.
