Audiência Pública na Câmara de Curitiba
Às vésperas da votação no Congresso Nacional sobre o veto presidencial ao projeto que determina a dosimetria das penas para os condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) promoveu uma audiência pública. Com o tema “Democracia, patriotismo e participação popular”, o evento ocorreu na noite de terça-feira (28), no auditório do Anexo 2, a convite da vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL).
O Congresso deverá se debruçar, na próxima quinta-feira (30), sobre o veto ao Projeto de Lei 2.162/2023, que altera as regras de cálculo e progressão de pena para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Durante a audiência, vereadores, parlamentares e líderes políticos expressaram suas opiniões, assim como participantes de manifestações ocorridas em Curitiba e em Brasília.
No requerimento que viabilizou a audiência, a Câmara justificou que o encontro visava fortalecer as instituições democráticas, aumentar o diálogo entre o poder público e a sociedade, e tratar do patriotismo como um compromisso com o bem comum, princípios constitucionais e o desenvolvimento do país.
Patriotismo e Conservadorismo em Foco
Ao iniciar a audiência, a Delegada Tathiana abordou a importância da participação política no âmbito da defesa de valores conservadores, da família e da liberdade de expressão. Ela mencionou projetos em trâmite na Câmara que refletem essas pautas e criticou decisões judiciais relacionadas aos eventos de 8 de janeiro, afirmando que o Brasil enfrenta um momento crucial.
Leia também: Concurso IFSULDEMINAS: Salários de até R$ 8.058,29 e Inscrições Abertas até 28 de Janeiro
Fonte: bh24.com.br
Leia também: Congresso Nacional Avalia Veto de Lula ao PL da Dosimetria; Entenda os Impactos
Fonte: odiariodorio.com.br
“Estamos vivendo uma fase decisiva em nossa nação. Este ano é sem dúvida um dos mais importantes até agora”, declarou Tathiana. Ela acrescentou que a audiência também tinha por objetivo reconhecer indivíduos que, segundo ela, mantiveram uma coerência entre o que dizem e o que fazem na esfera política. “Queremos homenagear aqueles que não fazem distinção entre suas palavras e ações”, complementou.
Entre os projetos mencionados por Tathiana, destacam-se a proposta que visa declarar Curitiba como capital pró-vida, a defesa das escolas cívico-militares e a obrigatoriedade de aulas de educação financeira e cívica. A vereadora também se posicionou contra a participação de crianças em eventos ligados à pauta LGBT+ e à Marcha da Maconha.
Mobilização nas Redes Sociais
O deputado estadual Delegado Tito Barrichello (PL) fez uma conexão entre o debate sobre democracia e a mobilização política de grupos conservadores. Ele criticou o Governo Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de defender a união da direita nas eleições de 2026.
“Precisamos nos unir e estar firmes, compreendendo que há uma luta dentro das regras da democracia, pois respeitamos a democracia mais do que nunca”, afirmou Barrichello. O deputado pediu que os presentes se tornem multiplicadores de opinião, especialmente por meio das redes sociais e do WhatsApp.
Leia também: Congresso Nacional Define Destino do Veto de Lula ao PL da Dosimetria: Questões Cruciais em Jogo
Fonte: aquiribeirao.com.br
Ele também abordou a votação da dosimetria no Congresso, defendendo uma revisão das penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Barrichello enfatizou que a atuação política deve ocorrer “dentro das quatro linhas” e utilizando todos os instrumentos democráticos disponíveis.
Testemunhos e Apoios
Gil Gera, uma liderança social de Colombo, recordou as manifestações que ocorreram em frente ao 20º Batalhão de Infantaria Blindado (20º BIB) após as eleições de 2022. Segundo ele, o movimento começou com o apoio a caminhoneiros e evoluiu para um agrupamento de pessoas envolvidas em pautas conservadoras.
“Desistir não é uma alternativa para aqueles que Deu escolheu para defender aquilo que consideramos essencial e inegociável: nossa liberdade”, disse Gil, destacando a necessidade de unidade em torno de valores como ‘Deus, pátria, família e liberdade’.
O advogado Levi de Andrade, ex-agente da Polícia Federal e ex-vereador de Paranaguá, concentrou sua fala na defesa de pessoas investigadas e condenadas pelos atos de 8 de janeiro. Ele alegou ter atuado em nome de cerca de 100 indivíduos que considera “presos políticos”, parte dos quais sem cobrança de honorários.
Levi compartilhou sua experiência em Brasília após os eventos e criticou as condições em que, segundo ele, os manifestantes foram tratados. “Pessoas idosas estavam em uma fila, cansadas, sem comer adequadamente, foi desumano”, relatou.
Engajamento Político e Redes de Apoio
Daniel Amorese, especialista em tecnologia e membro de grupos conservadores, discutiu o que chamou de “despertar do patriotismo”. Ele mencionou que antes via a política como algo distante, mas começou a se envolver em manifestações após os eventos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff e durante o governo de Jair Bolsonaro.
“Eu era uma pessoa alienada que acreditava que política era coisa suja, não era para gente de bem”, contou. Amorese ressaltou que os grupos conservadores têm promovido laços de amizade e confiança entre pessoas que antes não se conheciam.
Genaro Vela, cientista político e especialista em desenvolvimento humano, relatou sua experiência ao ser preso em razão dos eventos de 8 de janeiro, ressaltando os impactos emocionais e familiares decorrentes de sua detenção. Ele fez um apelo para que os apoiadores mantenham contato com aqueles que estão presos ou sob investigação. “Nunca transmitam desesperança a quem está encarcerado, pois eles precisam de você. Alimentem sempre a fé”, concluiu.
