Importância da Transparência nas Políticas Climáticas
O Ministério da ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através da Coordenação-Geral de Ciência do Clima, enfatizou a necessidade de transparência climática e a base em evidências para a formulação, avaliação e revisão de políticas públicas relacionadas à ação climática. Esse destaque aconteceu durante o 2º Diálogo Nacional sobre Estratégia Climática de Longo Prazo, realizado em São Paulo, no dia 12 de maio. O evento, promovido pelo World Resources Institute (WRI) Brasil, teve como foco discutir o Brasil até 2050, considerando a descarbonização, a resiliência climática e o desenvolvimento inclusivo.
“A implementação de compromissos em trajetórias de transformação econômica e social não acontece de forma automática. É a transparência climática que garantirá que promessas e planos se tornem ações e trajetórias verificáveis. Essa transparência vai estabelecer um elo concreto entre os planos e as ações”, explicou Márcio Rojas, coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI.
Iniciativa DataClima+ e o Sistema Nacional de Transparência Climática
O MCTI está em fase de desenvolvimento do projeto DataClima+, destinado a criar o Sistema Nacional de Transparência Climática, em conformidade com os requisitos do Acordo de Paris. Este sistema contará com módulos que fornecerão informações sobre emissões, adaptação, financiamento e acompanhamento das políticas públicas. Rojas manifestou otimismo, afirmando que “o MCTI tem avançado em dados abertos e estamos confiantes que esse sistema será um passo muito relevante para o Brasil”.
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No âmbito do Acordo de Paris, a estratégia climática de longo prazo (LTS, na sigla em inglês) constitui um documento formal que comunica os planos de desenvolvimento de baixo carbono do país. A meta da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil é alcançar a neutralidade de emissões até 2050. O Plano Clima, que define diretrizes, ações e metas até 2035, complementa essa estratégia, permitindo alinhar entendimentos e construir consensos necessários para a transformação nas próximas décadas.
Desafios e Perspectivas para o Brasil em 2050
Durante a mesa de abertura do evento, os painelistas discutiram as perspectivas e os desafios que o Brasil enfrenta para construir uma estratégia climática sólida para 2050. Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, ressaltou que o país recentemente aprovou o Plano Clima e está agora na fase de implementação das ações, além de ter uma meta climática ambiciosa de redução das emissões de gases de efeito estufa. Ela destacou que a estratégia de longo prazo transcende compromissos diplomáticos, focando no futuro e nas próximas gerações, podendo ser vista como uma “grande agenda de transformação”.
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O Secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Aloísio Melo, abordou também a relevância da estratégia de longo prazo em um cenário internacional marcado por incertezas. Segundo ele, essa visão é essencial para estabelecer as bases e sinergias necessárias para a construção de um Brasil resiliente em 2050. “É fundamental que haja uma visão compartilhada e comum ao longo do tempo e dos ciclos políticos”, apontou.
Prevendo o Futuro: A Perspectiva Internacional
O adido de Meio Ambiente e Clima da Embaixada da Alemanha no Brasil, Timon Leopold, sublinhou a importância da previsibilidade na agenda climática, essencial para garantir investimentos e respeitar os ciclos naturais, que são de longo prazo. Leopold defendeu que “todas as ações nessa trajetória devem ser fundamentadas em ciência”, reafirmando a necessidade de uma abordagem baseada em evidências para superar resistências e promover as transformações necessárias.
