Defesa do voto feminino como pilar da campanha
Gleisi Hoffmann colocou a defesa do voto feminino no centro da estratégia petista no Paraná durante ato com militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul. Na ocasião, que ocorreu no sábado (22), a candidata ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores qualificou a eleição de 2026 como uma disputa direta contra tentativas da extrema direita de subordinar a decisão política das mulheres à autoridade masculina dentro do ambiente familiar.
Gleisi direcionou sua fala contra o empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que em 25 de junho afirmou em uma transmissão no YouTube que mulheres “votam mal”, especialmente as solteiras, e associou o voto das casadas ao voto do marido. Para a petista, esse ataque não é um detalhe lateral da campanha, mas uma tentativa explícita de transformar a dependência doméstica em argumento eleitoral num estado onde a violência contra as mulheres ainda representa um problema concreto e ameaça à autonomia das eleitoras.
Discurso de retrocesso e violência de gênero
“É impressionante que hoje a gente volte a discutir o direito de voto das mulheres, uma conquista assegurada desde a década de 1930”, afirmou Gleisi Hoffmann. “Essa é a mentalidade de quem acredita que a mulher deve ser submissa. Por isso, precisamos conversar com as mulheres para apontar o que está em risco: nossa vida, dignidade e segurança.”
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O direito ao voto feminino foi garantido no Brasil pelo Código Eleitoral de 1932, mas a extrema direita tem tensionado essa conquista ao flertar com a lógica do chamado voto familiar. Esse conceito não precisa ser formalizado em lei para gerar efeitos políticos; basta normalizar a desconfiança sobre a capacidade da mulher independente de escolher seu voto sem influência do marido. A fala de Figueiredo não altera a legislação eleitoral, mas o risco está na transição do discurso para o poder institucional, quando provocações se transformam em programas políticos.
Contexto da violência contra a mulher no Paraná
Dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Paraná registrou 61 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, o quarto maior número absoluto no país, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Esse total representa um aumento de 24,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 49 vítimas. No cenário nacional, o Brasil teve uma redução de 3,2% no número de feminicídios entre janeiro e julho, totalizando 848 casos, mas a Região Sul, que inclui o Paraná, apresentou alta de 14,9%.
Articulação política e alianças no Paraná
Dr Rosinha, também candidato do PT ao Senado pelo Paraná, vinculou a agenda local à eleição presidencial. Para ele, a vitória de Lula é fundamental não apenas para o Brasil, mas para o mundo, já que o ex-presidente é o principal líder global na oposição à extrema direita.
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Fonte: bh24.com.br
O médico defendeu que o campo progressista enfrente temas como violência de gênero, homofobia, racismo e xenofobia. No contexto estadual, a disputa pelo governo do Paraná conta com nomes como Requião Filho (PDT), Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD).
Roberto Baggio, da direção nacional do MST, comparou o ato no Assentamento 8 de Junho ao lançamento da campanha de Lula no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, que ocorreu em 16 de agosto, 47 anos depois das greves metalúrgicas de 1979. A escolha do assentamento carrega peso simbólico: a ocupação da antiga Fazenda Giacomet-Marodin, em 17 de abril de 1996, envolveu milhares de sem-terra e originou um dos maiores complexos de reforma agrária da América Latina, que hoje abriga mais de 5,5 mil famílias distribuídas em 24 comunidades.
Próximos passos da campanha petista
A campanha do PT no Paraná saiu do encontro com uma linha clara: a defesa de Lula, das candidaturas ao Senado e da reforma agrária será apresentada com uma questão direta para as eleitoras. A pergunta que fica é quem deseja governar o país reconhece a mulher como sujeito político pleno ou aceita devolvê-la à tutela masculina, reforçando a disputa institucional que atravessa a eleição de 2026.
