Moro anuncia plano para presídio inspirado em modelo salvadorenho
Sergio Moro (PL) formalizou uma iniciativa que vai além da retórica ao manifestar sua admiração pela política de segurança implementada por Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Em evento realizado nesta segunda-feira (31), o senador e candidato ao governo do Paraná revelou o projeto de construir uma penitenciária estadual de segurança máxima, batizada como “El Salvador”, caso seja eleito.
A escolha do nome representa uma homenagem direta ao país governado por Bukele, cuja política de forte repressão às gangues, prisões em massa e adoção de um regime de exceção prolongado tornou-se referência para setores da direita latino-americana. O anúncio ocorreu durante o congresso de segurança pública promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro.
Moro aproveitou o momento para defender a aplicação da experiência salvadorenha no Paraná, argumentando que a unidade prisional para detentos de alta periculosidade permitiria ao estado reduzir sua dependência das penitenciárias federais. A proposta sinaliza o desejo do ex-juiz de associar sua política de segurança pública a um modelo internacional que, apesar de controverso, tem forte apelo entre setores da direita brasileira.
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Contexto e críticas ao modelo salvadorenho
O combate às gangues, como principal bandeira política de Bukele, resultou em significativa queda nos homicídios em El Salvador e elevou a popularidade do presidente. No entanto, a estratégia também enfrenta críticas severas de organizações internacionais de direitos humanos. Desde março de 2022, o país está sob regime de exceção, adotado inicialmente para conter uma onda de homicídios e prorrogado repetidamente.
Durante esse período, milhares de pessoas foram presas, com relatos de detenções arbitrárias, tortura, maus-tratos e mortes sob custódia do Estado documentados por entidades de direitos humanos. O Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), inaugurado em 2023, é o símbolo mais conhecido dessa política, projetado para abrigar até 40 mil detentos sob rigorosa vigilância.
Imagens oficiais do governo salvadorenho mostram presos de cabeça raspada e sem camisa, reforçando a mensagem de controle absoluto sobre o sistema prisional, o que contribuiu para a projeção internacional do modelo Bukele.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Repercussão e influência na política brasileira
A proposta de Moro reflete como a experiência de El Salvador ganhou espaço na campanha eleitoral de 2026 entre setores da direita brasileira. A política de endurecimento penal adotada por Bukele é apresentada como alternativa para o combate ao crime organizado, mesmo diante dos alertas sobre violações de direitos humanos no país centro-americano.
Além de Moro, outros políticos, como Flávio Bolsonaro (PL), também incorporaram referências ao modelo salvadorenho em suas propostas de segurança pública. Figuras como Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado elogiaram aspectos do sistema prisional de El Salvador, embora reconheçam as diferenças entre as realidades nacionais.
Num contexto em que a segurança pública é tema central da disputa eleitoral, a iniciativa de Moro de nomear o presídio de “El Salvador” evidencia o alinhamento explícito à política de Bukele, colocando essa estratégia como pilar de sua plataforma para o Paraná. O próximo passo será observar a reação da sociedade e dos órgãos responsáveis diante dessa proposta que une referência internacional e projeto local de segurança.
