Parecer do MPE abre caminho para candidatura de Deltan Dallagnol
O Ministério Público Eleitoral do Paraná (MPE-PR) manifestou-se favoravelmente à possibilidade de Deltan Dallagnol concorrer ao Senado em 2026. O documento, assinado pelo procurador regional Marcelo Godoy, afirma que a exoneração do ex-procurador do Ministério Público Federal (MPF), ocorrida em 2021, não configura impedimento para sua participação nas próximas eleições.
Contexto jurídico e processo em análise no TRE-PR
A manifestação foi apresentada em um processo aberto a pedido de Dallagnol, que recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) para obter uma declaração formal sobre sua elegibilidade. O pedido foi protocolado em julho e ainda está sob análise pela corte estadual. Essa consulta judicial está relacionada a dúvidas sobre a validade da candidatura, motivadas por episódios anteriores às eleições de 2022.
Deltan deixou o MPF em novembro de 2021, enquanto havia procedimentos administrativos em curso no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). No ano seguinte, foi eleito deputado federal pelo Paraná com 344.917 votos. No entanto, sua situação jurídica gerou questionamentos diante da existência desses processos administrativos.
Leia também: Pesquisa Paraná Pesquisas revela líderes na disputa pelo governo e Senado no Paraná
Leia também: Alvaro Dias lidera corrida ao Senado no Paraná com ampla vantagem
Decisão do TSE e desdobramentos administrativos
Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro da candidatura de Dallagnol a deputado federal, considerando que ele havia deixado o cargo enquanto ainda estava sujeito a possíveis sanções disciplinares. Para o tribunal, a exoneração naquele momento configurou fraude à lei, já que poderia evitar penalidades futuras. Consequentemente, houve uma nova apuração dos votos, com a posse do deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) na vaga.
Após essa decisão, o MPE revisitou a questão e concluiu que a situação jurídica atual de Dallagnol é distinta daquela avaliada pelo TSE. Dos processos administrativos que estavam em andamento, 13 foram arquivados por prescrição ou improcedência, e os demais encerrados antes de qualquer risco de demissão. Segundo o parecer do MPE, essas alterações devem ser levadas em conta pela Justiça Eleitoral.
Reavaliação da elegibilidade e disputa jurídica
O Ministério Público Eleitoral defende que a Justiça Eleitoral reavalie as condições de elegibilidade de Dallagnol para as eleições de 2026, em vez de considerar a decisão do TSE como um impedimento definitivo. Além disso, o ex-procurador argumenta que a cassação do registro em 2023 se restringiu àquela eleição específica para deputado federal, sem estender inelegibilidade para pleitos futuros.
Leia também: Guto Silva se posiciona como pré-candidato ao Senado após escolha de Ratinho Junior para governo do Paraná
Leia também: Liderança de Sergio Moro e Deltan Dallagnol destaca influência da Lava Jato na eleição do Paraná
Fonte: curitibainforma.com.br
Essa interpretação, porém, enfrenta contestação no âmbito jurídico, gerando um debate sobre os limites da inelegibilidade decorrente da decisão do TSE. O parecer do MPE não revoga a decisão anterior nem assegura automaticamente a candidatura. O TRE-PR permanece responsável por avaliar o pedido e decidir sobre o registro da candidatura de Dallagnol ao Senado.
O desfecho desse processo terá impacto direto na disputa eleitoral paranaense, especialmente diante da relevância política do nome de Dallagnol e do contexto institucional que envolve sua trajetória recente. A corte estadual deverá analisar criteriosamente os aspectos legais para definir o andamento da candidatura.
