Inovações tecnológicas para o agronegócio paranaense
Durante a 31ª Expotécnica, realizada em Sabáudia, na região Norte Central do Paraná, o governo estadual anunciou um conjunto de medidas que buscam modernizar e tornar mais sustentável o setor agropecuário. Entre as novidades, estão a entrega de 27 drones para a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o lançamento do aplicativo Paraná + Sustentável e a regulamentação da Certidão Agroambiental Consolidada (CAC).
O governador Carlos Massa Ratinho Junior ressaltou que as iniciativas têm como objetivo posicionar o Paraná como o estado mais tecnológico no agronegócio, atendendo desde pequenos produtores até grandes cooperativas. “Nosso foco é transformar o Paraná no maior supermercado do mundo, e para isso, precisamos liderar em inovação”, afirmou.
Drones: tecnologia para fiscalização e segurança
Investindo cerca de R$ 1 milhão, o governo adquiriu 27 drones DJI Mavic 4 Pro, que já estão cadastrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas da Anac. Os equipamentos contam com câmeras triplas, gravação em 6K HDR, autonomia de voo de até 51 minutos e tecnologia para voos noturnos, com alcance de até 41 km. Eles serão usados para detectar focos de pragas e monitorar aglomerações de animais, auxiliando na prevenção de riscos sanitários.
O presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, destacou que essa aquisição faz parte do plano de modernização da agência, que inclui novas viaturas, computadores e sistemas com inteligência artificial para os servidores. Luiz Renato Barbosa, engenheiro agrônomo e chefe da Divisão de Conservação dos Solos da Adapar, afirmou que a agência possui hoje a maior frota de drones do Brasil, com 35 aeronaves cadastradas.
Para operar esses drones, técnicos, fiscais, engenheiros agrônomos e veterinários passarão por capacitação para habilitação junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), do Ministério da Defesa.
Aplicativo Paraná + Sustentável facilita gestão rural
Outro avanço é o lançamento do Paraná + Sustentável, um aplicativo desenvolvido pela Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEI) que unifica serviços e informações para os produtores rurais. A plataforma simplifica o acesso a documentos oficiais, reduz burocracias e fortalece a transparência e rastreabilidade do agronegócio paranaense.
Entre as funcionalidades iniciais estão o CEP Rural Digital, que cria um endereço oficial para propriedades rurais por georreferenciamento, facilitando o acesso de ambulâncias, forças de segurança e serviços logísticos. O aplicativo também emite a Certidão Agroambiental Consolidada (CAC) de forma imediata, digital e gratuita, consolidando dados da Adapar, do Instituto Água e Terra (IAT) e de sistemas estaduais.
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O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Natalino Avance de Souza, ressaltou que o objetivo é facilitar a rotina do campo, reunindo informações dispersas em vários órgãos. Já o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Marcos Stamm, destacou que o app representa um salto na desburocratização, oferecendo endereços precisos, rotas vicinais mapeadas e documentos essenciais para acesso a crédito rural.
Certidão Agroambiental Consolidada: simplificação e sustentabilidade
Para oficializar as mudanças, o governador assinou o decreto que regulamenta a emissão da CAC, que agora é reconhecida como comprovação oficial da situação ambiental e sanitária das propriedades rurais, considerando o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dados da Adapar. A certidão elimina a necessidade de múltiplos documentos para bancos e cooperativas, sendo emitida gratuitamente pelo aplicativo.
O Paraná + Sustentável já está disponível para dispositivos Android na Play Store, com versão para iOS em breve na App Store. A ferramenta tem potencial para beneficiar mais de 300 mil produtores rurais em aproximadamente 500 mil propriedades nos 399 municípios do estado, consolidando uma política pública de transformação digital voltada ao campo.
Investimentos em produção suína e sustentabilidade
Na área da suinocultura, a Unidade de Produção de Leitões 02 (UPL 02) da Coopavel, em Cascavel, comemora dez anos como a maior granja de suínos da América Latina. Com capacidade anual para mais de 600 mil suínos, a unidade gera cerca de 78 milhões de quilos de carne, suficiente para alimentar 25% da população paranaense por um ano.
O gerente executivo da Coopavel, Marcos Sipp, destaca o uso de genética líquida, tecnologias para bem-estar animal e iniciativas pioneiras de economia circular, como a transformação de dejetos suínos em biogás e energia elétrica. A biosseguridade é prioridade, com protocolos rigorosos que reduzem o uso de medicamentos e melhoram as condições dos animais.
Com área de 254 hectares e 140 mil metros quadrados de infraestrutura, a UPL 02 opera com fêmeas puras AG1020 para produção de matrizes de reposição, visando alta performance em ganho de peso e qualidade da carne. Além disso, há investimento superior a R$ 15 milhões em equipamentos para tratamento e reuso de água, reduzindo o consumo de recursos naturais.
Medida Provisória cria fundo para renegociação de dívidas rurais
Em âmbito federal, o governo lançou uma Medida Provisória (MP) que permite a renegociação de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas rurais. O texto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda Dario Durigan, prevê a criação de um fundo semelhante ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir operações afetadas por eventos climáticos adversos.
A MP estabelece punições para fraudes, com perda de benefícios, devolução dos valores recebidos e impedimento para acessar crédito por até cinco anos. Profissionais que validarem documentos fraudulentos também serão responsabilizados administrativa e civilmente.
Os prazos para quitação das dívidas variam entre oito a dez anos, com juros diferenciados para agricultores familiares (Pronaf), médios produtores (Pronamp) e demais produtores, podendo ser reduzidos em casos de perdas por eventos climáticos extremos, como secas, geadas e inundações.
Linhas de crédito e limites para produtores rurais
A MP abrange operações de crédito de custeio, comercialização, industrialização e investimento, tanto para produtores adimplentes quanto inadimplentes, contratadas até 31 de dezembro de 2025. Os recursos para financiar essas operações virão dos fundos constitucionais de financiamento do Nordeste (FNE), Norte (FNO), Centro-Oeste (FCO) e outras fontes previstas no Manual de Crédito Rural do Banco Central.
Os limites de crédito são de até R$ 400 mil para agricultores familiares do Pronaf, R$ 2 milhões para miniprodutores, pequenos e médios do Pronamp, e R$ 4 milhões para demais produtores.
O acordo que resultou na MP buscou equilibrar as demandas do setor agrícola com a viabilidade fiscal do país, substituindo o Projeto de Lei 5122/23 que tratava do mesmo tema. A MP já está em vigor desde sua publicação, e terá até 120 dias para aprovação pelo Congresso Nacional.
Essas medidas representam um esforço coordenado para tornar o agronegócio brasileiro mais competitivo, sustentável e preparado para os desafios econômicos e climáticos que impactam o setor, com foco na inovação tecnológica, na digitalização e na garantia de crédito para os produtores.
