O Paraná e o Mercado de fitoterápicos no Brasil
O estado do Paraná se destaca como o maior produtor de plantas medicinais do Brasil, concentrando cerca de 90% da produção nacional, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico. Isso o consolida como um polo essencial na fabricação de medicamentos à base de plantas.
Entretanto, mesmo liderando nesse segmento, o mercado de fitoterápicos ainda representa apenas 3,2% dos medicamentos registrados no Brasil, movimentando aproximadamente R$ 825 milhões. Esse valor, embora significativo, é considerado modesto diante do imenso potencial científico e econômico que o país possui.
Regulamentação e Oportunidades no Setor
A recente aprovação do novo marco regulatório de fitoterápicos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revela um contraste importante: o Brasil, que abriga a maior biodiversidade do planeta, ainda ocupa uma posição tímida em um mercado global que movimenta cerca de US$ 437 bilhões anualmente. A expectativa do setor é que essa atualização nas regras ajude a destravar investimentos, acelerar processos de registro e ampliar o acesso a esses medicamentos, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Enquanto isso, países da Europa e da Ásia têm se consolidado como líderes nesse segmento, mesmo sem contar com a mesma abundância de recursos naturais. Por exemplo, a Alemanha possui cerca de 10 mil produtos fitoterápicos disponíveis no mercado, enquanto o Reino Unido conta com aproximadamente 3 mil. Ao passo que o Brasil, com sua rica biodiversidade, tem menos de 400 registros ativos, o que evidencia entraves regulatórios e a necessidade urgente de inovação e exploração mais eficiente de sua biodiversidade.
Biohealth Conference 2026: Um Marco para a Indústria
Nesse contexto, destaca-se o Biohealth Conference 2026, que será realizado nos dias 8 e 9 de maio, em São Paulo. Este evento promete ser o maior encontro científico do setor no país, reunindo especialistas, pesquisadores, gestores públicos e líderes da indústria para discutir inovação, regulamentação e as tendências de mercado. Com mais de 45 palestrantes confirmados, a conferência visa aproximar a ciência, a prática clínica e a indústria em um mesmo espaço.
De acordo com Larte Dall´Agnol, Presidente da Abifisa, o mercado de fitoterápicos está em constante evolução. Para o Brasil, o principal desafio é transformar sua biodiversidade em um ativo econômico estratégico, deixando de exportar matéria-prima bruta e investindo em produtos de maior valor agregado. A nova regulamentação, aliada ao avanço científico e ao crescente interesse por soluções naturais, pode reposicionar o Brasil no mercado global, desde que acompanhada por políticas públicas adequadas, incentivo à pesquisa e maior integração entre os diferentes atores do setor.
