Pesquisa aponta liderança de Sergio Moro e Deltan Dallagnol no Paraná
O último levantamento da Real Time Big Data sobre as eleições no Paraná confirma Sergio Moro na frente na disputa pelo governo estadual, enquanto Deltan Dallagnol aparece como favorito na corrida ao Senado. Para o colunista de VEJA Robson Bonin, esses resultados reforçam a continuidade da relevância política da Lava Jato no estado. Durante o programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, Bonin destacou ainda que a fragmentação dos candidatos de direita e centro pode abrir espaço para Gleisi Hoffmann disputar uma das duas vagas ao Senado.
Cenário eleitoral e intenções de voto
Na simulação de primeiro turno, Sergio Moro lidera com 37% das intenções de voto, seguido por Sandro Alex com 22% e Requião Filho com 20%. Luiz França registra 2%, outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 6%, e 12% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder. Em cenários de segundo turno, Moro aparece com 55% contra 27% de Requião Filho, e com 45% diante dos 30% de Sandro Alex.
A pesquisa também avaliou a disputa pelas duas vagas ao Senado. Deltan Dallagnol lidera com 19%, seguido por Alexandre Curi e Filipe Barros, ambos com 17%. Gleisi Hoffmann registra 15%, enquanto Cristina Graeml tem 13%. O levantamento ouviu 1.600 pessoas entre 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Significado da influência da Lava Jato na eleição
Para Bonin, os números indicam que a Lava Jato mantém uma influência significativa sobre parte do eleitorado paranaense. “Essa nova pesquisa mostra a predominância desse espírito lá no Paraná”, avaliou o colunista. Ele acrescentou que tanto Moro quanto Deltan conseguiram transformar politicamente a projeção obtida durante a operação contra a corrupção.
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Bonin destacou que os candidatos que lideram — Moro para governo do Estado e Deltan para o Senado — são figuras que capitalizaram politicamente a investigação da corrupção nos governos do PT. Além disso, Moro tenta construir sua imagem combinando essa herança com uma continuidade em relação à atual administração estadual, mantendo como marcas a moralidade pública e o combate à corrupção.
Desempenho e surpresa com Gleisi Hoffmann
Outro ponto que chamou a atenção do colunista foi o desempenho de Gleisi Hoffmann na corrida ao Senado. “A surpresa também é a Gleisi estar com 15% em um estado que tem forte rejeição ao petismo”, disse Bonin. Esse resultado ganha importância diante da grande quantidade de candidatos disputando votos em campos políticos semelhantes.
Ao ser questionado sobre a preocupação de setores da direita com a pulverização das candidaturas e o risco de favorecer nomes adversários, Bonin classificou o quadro como “desafiador”. A divisão dos candidatos conservadores e de centro no Paraná está bastante acirrada, o que pode dificultar a concentração de votos.
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Fragmentação da direita e riscos para a eleição ao Senado
Bonin avalia que essa fragmentação amplia as chances de Gleisi Hoffmann disputar competitivamente uma das duas cadeiras ao Senado, caso os candidatos do campo conservador não consigam unir forças. “Não é um absurdo a Gleisi sonhar em conseguir uma vaga se esse conjunto de candidatos não se entender”, afirmou.
Apesar disso, o colunista ressaltou que os números refletem um momento inicial da disputa e que o tempo até a votação exige cautela na análise. O grau de conhecimento dos candidatos pode influenciar as respostas dos eleitores nas fases preliminares.
Conclusão do cenário eleitoral no Paraná
A pesquisa revela dois movimentos importantes: a persistência da Lava Jato como ativo eleitoral para nomes ligados à operação e a fragmentação da disputa pelo Senado, onde a multiplicidade de candidaturas no campo da direita e centro pode alterar o resultado da eleição para as duas vagas. O próximo passo será acompanhar como as articulações políticas vão reagir a esse cenário e se haverá esforços para consolidar candidaturas em ambos os campos.
