Visão Geral das Propostas dos Candidatos de Partidos Menores no Paraná
Cinco candidatos filiados a partidos menores disputam o Governo do Paraná com planos de governo que apresentam visões bastante distintas para o Estado. Adriano Funileiro (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayna Miessa (Unidade Popular) propõem mudanças em áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura, transporte e administração pública. Todos fazem parte do grupo de oito candidatos registrados para a disputa pelo Palácio Iguaçu nas Eleições 2026.
A divergência entre eles se destaca na forma como defendem a atuação do Estado. Enquanto algumas propostas valorizam a gestão por resultados, o equilíbrio fiscal e a atração de investimentos, outras defendem ampliar a presença estatal, estatizar serviços e aumentar a participação de trabalhadores e movimentos sociais nas decisões públicas.
Adriano Funileiro e o Enfoque na Estatização e Controle Popular
Adriano Funileiro (PCO), com Zé Carlos como candidato a vice, apresenta um plano considerado uma ruptura com o modelo atual de administração pública. Intitulado “programa de luta”, o documento com 15 tópicos defende a revolução e um governo operário, utilizando a eleição como ferramenta de organização política dos trabalhadores.
Na saúde, o plano propõe a estatização dos serviços e o fim da participação privada, buscando ampliar os serviços públicos por meio de concursos e combate às terceirizações. A educação receberia atenção com o fortalecimento da rede pública e políticas para garantir a permanência dos estudantes e valorização dos profissionais. Na infraestrutura, destaca-se a estatização do transporte público, com redução das tarifas, passe livre e expansão da rede.
A governabilidade, segundo Funileiro, deve se basear em conselhos populares formados por assembleias nos bairros e locais de trabalho, garantindo participação direta nas decisões sobre orçamento, obras, serviços públicos e desenvolvimento urbano.
Alexandre Salomão: Educação, Segurança e Gestão por Metas
O advogado Alexandre Salomão (Mobiliza), tendo Daiana Criminacio como vice, apresenta um plano de 20 páginas dividido em seis eixos, incluindo educação, neurodiversidade, cultura, desenvolvimento de talentos, prosperidade, saúde e segurança. O documento identifica desafios econômicos e fiscais do Paraná, déficit de policiais, dificuldades financeiras em hospitais filantrópicos e problemas na educação.
Na saúde, Salomão propõe a criação da Tabela SUS Paranaense, que complementa os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para hospitais filantrópicos e Santas Casas. O plano prevê ampliar ambulatórios de especialidades, hospitais regionais e manter programas de cirurgias eletivas.
Em educação, o foco está em metas para alfabetização, primeira infância, formação de professores e inclusão de áreas como programação e robótica. Para a segurança pública, propõe concursos regulares para redução do déficit policial, programa permanente de saúde mental para agentes e mandatos fixos de dois anos para comandos das polícias e bombeiros, com possibilidade de recondução.
Na infraestrutura, o plano prioriza a Nova Ferroeste e o Moegão no Porto de Paranaguá, além de avaliar a Hidrovia Paraná-Paraguai e reduzir burocracias portuárias. A gestão prevê transformação de compromissos em metas regionalizadas, prestação de contas anual e dados abertos para acompanhamento público.
Luiz França e o Foco no Equilíbrio Fiscal e Resultados
Luiz França (Missão), com João Adolfo como vice, apresenta um plano extenso, com 98 páginas, estruturado a partir de diagnósticos e 16 compromissos para áreas da administração estadual. O foco principal é a reorganização do Estado por meio de uma gestão enxuta e orientada por resultados.
França propõe revisar contratos, reduzir despesas sem comprovação de finalidade e combater privilégios na máquina pública, preservando investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura. No setor de saúde, destaca o combate às filas de espera e a integração dos serviços, com prontuário eletrônico e ampliação do atendimento remoto.
Na segurança, aposta na melhoria do efetivo e dos equipamentos policiais. Em infraestrutura e logística, destaca o programa Paraná Inteligente para otimização dos serviços, conclusão da Nova Ferroeste, ampliação ferroviária e investimentos no Porto de Paranaguá, além da avaliação de novos modais de transporte.
O plano indica ainda maior espaço para servidores de carreira, calendário regular de concursos e transparência na relação entre efetivos e comissionados. Propõe a criação da Lei Paranaense de Responsabilidade Gerencial para avaliação das políticas públicas pela entrega de resultados.
Samuel de Mattos e a Proposta Socialista de Ampliação do Estado
O professor Samuel de Mattos (PSTU), com Helena Figueiredo como vice, apresenta um plano de 15 páginas dividido em 15 eixos, que se posiciona como um projeto socialista para o Paraná. O documento critica o modelo econômico atual e defende a organização dos trabalhadores e participação por meio de conselhos populares.
Na saúde, o PSTU defende um SUS 100% público, gratuito e estatal, com fim das terceirizações, Parcerias Público-Privadas (PPPs) e consórcios, além da reestatização de hospitais e serviços. Na educação, o foco está na valorização dos trabalhadores, ampliação do acesso e defesa das universidades estaduais.
Para a segurança pública, a proposta inclui a desmilitarização das polícias, unificação das forças e controle dos trabalhadores, além do fim da privatização dos presídios e mudanças na política de encarceramento. Na infraestrutura, questiona o modelo rodoviário e propõe ampliação do transporte público e alternativas ferroviárias.
Mattos destaca a criação de conselhos populares para garantir a participação direta dos trabalhadores e comunidades em decisões sobre orçamento, obras e serviços públicos.
Tayna Miessa e a Defesa dos Serviços Públicos e Participação Popular
A produtora cultural Tayna Miessa (Unidade Popular), com Willian Araki como vice, apresenta um plano de 23 páginas focado na ampliação dos serviços públicos, redução das desigualdades e participação popular nas decisões do Estado. O documento aborda saúde, educação, habitação, transporte, segurança, meio ambiente e direitos sociais.
Na saúde, defende o fortalecimento do SUS, priorizando atenção básica e prevenção para aliviar a pressão sobre hospitais, reduzindo a participação de planos de saúde e fundações privadas. Na educação, propõe reestatização da gestão das escolas do programa Parceiro da Escola, fim dos Colégios Cívico-Militares, ampliação dos concursos para professores e servidores, passe livre estudantil, ampliação das cotas nas universidades estaduais, alimentação estudantil, autonomia universitária e fim da terceirização.
Na segurança, aposta em políticas de prevenção à violência, justiça restaurativa, maior controle social sobre as forças policiais e criação de um Conselho Estadual de Segurança Cidadã com participação da sociedade civil. Também propõe programas de emprego e qualificação em áreas vulneráveis e debate sobre a desmilitarização das polícias.
No transporte, defende a redução das tarifas, criação de empresa pública, passe livre para estudantes e desempregados, ampliação da integração entre modais, implantação de ciclovias e melhorias na mobilidade urbana. Na gestão, aposta em conselhos, movimentos sociais e participação popular na formulação e fiscalização das políticas públicas.
