Supercomputadores reforçam capacidade tecnológica no Paraná
No primeiro semestre de 2026, o Paraná avançou na consolidação de uma rede inédita de supercomputadores no país. O Contrato de Encomenda Técnica nº 27/2026, firmado entre a Fundação Araucária, a Seti e a Hi-Mix Eletrônicos S/A, prevê a importação de nove máquinas diretamente da Índia. Essas unidades serão distribuídas entre sete universidades públicas, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Data Center do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), localizado em Londrina, com o objetivo de ampliar significativamente a capacidade de processamento de dados para a rede estadual de pesquisa e inovação.
Estrutura e funcionamento da rede de supercomputadores
Essa rede foi planejada em quatro níveis distintos, conectando equipamentos instalados em diferentes cidades do estado. Na prática, o sistema é organizado em “nós”, que são computadores ou servidores interligados, cada um com processadores, memória e armazenamento próprios, operando de forma integrada para maximizar o poder de processamento.
O principal centro, considerado o “cérebro da rede”, ficará na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com uma capacidade de 650 Tflops, configurando-se como o maior sistema de processamento convencional do Paraná. Quatro polos regionais receberão unidades com 300 Tflops cada: Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel; Universidade Estadual de Maringá (UEM); Universidade Estadual de Londrina (UEL); e Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava.
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Nas extremidades da rede serão instalados três supercomputadores PARAM Shavak, com capacidades entre 2 e 5 Tflops cada, localizados na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), em Jacarezinho; Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em Paranavaí; e no Tecpar, em Curitiba. Essas máquinas menores terão papel fundamental na capacitação local e no desenvolvimento inicial de algoritmos e pesquisas de menor escala, permitindo testes preliminares antes da utilização dos equipamentos mais potentes.
Inteligência artificial ganha espaço com supercomputador dedicado
O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), em Londrina, receberá um supercomputador especialmente voltado para aplicações em inteligência artificial, com capacidade de 13 petaflops (PF). Essa unidade será dedicada a tarefas como machine learning, aprendizado profundo e processamento de grandes modelos, ampliando o potencial da pesquisa em IA no estado.
Parceria com a Índia na construção dos equipamentos
Os supercomputadores serão produzidos pelo Centre for Development of Advanced Computing (C-DAC), instituição indiana vinculada ao governo da Índia, em parceria com a VVDN Technologies. Após testes e aferições iniciais realizados na Índia, os equipamentos serão enviados ao Paraná para montagem, integração e customização na planta da Hi-Mix, em Pato Branco, Sudoeste do estado. Essa etapa inclui validações técnicas antes da distribuição final para as universidades e centros de pesquisa envolvidos.
A Índia destaca-se internacionalmente no campo da computação de alto desempenho (HPC), especialmente em soluções voltadas ao setor acadêmico e científico. O C-DAC, criado nos anos 1980, é responsável pela linha de supercomputadores PARAM, que já é referência global na área. Embora a arquitetura e componentes sejam de origem indiana, o processo de montagem física e integração será realizado localmente, fortalecendo a indústria tecnológica paranaense.
