Infância Marcada pela Luta e pela Superação
Renato Freitas, aos 42 anos, é um nome importante na política do Paraná, atualmente atuando como deputado estadual. Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Freitas já exerceu a função de vereador em Curitiba e se prepara para uma candidatura a deputado federal.
Originário da periferia, o parlamentar, que representa o Partido dos Trabalhadores (PT), prioriza em seu mandato questões sociais como racismo, moradia e segurança pública. Ele enfrenta, neste momento, um processo de cassação de seu mandato na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que será discutido pelo Conselho de Ética da Alep na próxima segunda-feira (11/05). Em entrevista à Tribuna do Paraná, Freitas compartilhou detalhes sobre sua infância, formação e sua trajetória na política.
Despertar Político e Experiências Pessoais
Durante a entrevista, Freitas destacou suas origens. Ele nasceu em Sorocaba e se mudou para Curitiba ainda criança com sua família. “Minha família é de retirantes nordestinos. Não tive praticamente convívio com meu pai. Minha mãe veio do sertão da Paraíba, fugindo de um lar marcado pela violência”, relembra Freitas.
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A história de sua mãe, que enfrentou desafios imensos para criar os filhos, é um reflexo das dificuldades que muitas famílias enfrentam. Freitas narra que, em sua infância, viu sua mãe trabalhar em diversas funções, enfrentando a pobreza e a violência. “Moramos em lugares sem água e luz. Minha infância foi extremamente difícil, mas também cheia de memórias que moldaram quem sou hoje”, comentou.
Violência e Preconceito: Desafios do Passado
Freitas recorda que a violência e o preconceito racial começaram a afetá-lo desde muito jovem. Ele se lembrou de episódios de discriminação que viveu, sendo inclusive apelidado de ‘Juruna’ — uma referência depreciativa ao primeiro deputado indígena do Brasil. “Essa experiência de ser tratado de forma diferente me despertou a consciência do meu lugar na sociedade e a necessidade de lutar por igualdade”, afirmou.
O deputado ressaltou que, mesmo em meio às dificuldades, encontrou no rap uma forma de expressão e resistência. “O rap me salvou, me fez entender que minha história tinha valor, que eu tinha valor”, revelou. Essa conexão com a música serviu como um importante catalisador para sua trajetória política e ativista.
Trajetória Política e Desafios Atuais
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Freitas surgiu na cena política em 2016, quando se candidatou pela primeira vez a vereador. Desde então, ele se tornou um defensor ardente dos direitos humanos e do combate ao racismo, preside a Comissão de Igualdade Racial na Alep e luta por melhorias no acesso à moradia e na segurança pública.
Atualmente, o deputado enfrenta um processo de cassação, e em sua visão, isso é parte de um “lawfare” direcionado a deslegitimar sua atuação política. “Sofro um ataque pessoal constante, que busca me retratar como uma figura negativa. Isso tem um impacto profundo na minha vida e na segurança da minha família”, afirma.
Propostas e o Futuro Político
Ao falar sobre seus projetos, Freitas se mostra esperançoso. “A luta por moradia, igualdade racial e uma abordagem mais humana na segurança pública continua sendo meu foco principal. Acredito que podemos fazer diferença, apesar das dificuldades”, diz.
Com a proximidade das eleições, Freitas já se posiciona como pré-candidato a deputado federal, afirmando que sua luta não é apenas por cargos, mas por uma transformação real na sociedade. “Acredito que a política deve ser feita com verdade, mostrando quem somos e o que defendemos”, conclui.
Reflexões sobre o Estado e a Sociedade
Questionado sobre a administração do governador Ratinho Junior, Freitas não hesitou em criticar: “O governo atual é responsável pelo aumento da violência, e isso é um reflexo de uma política que não prioriza a vida. É preciso uma mudança de paradigma”. Ele ressalta que a violência policial e o preconceito precisam ser abordados de forma mais estrutural, e não apenas com ações pontuais.
Finalmente, o deputado faz um convite à população: “Devemos nos unir e lutar por um futuro mais justo, onde as vozes das periferias sejam ouvidas e respeitadas”, conclui, reafirmando seu compromisso com a política inclusiva e transformadora.
