Integração entre estados fortalece combate a desastres naturais
Os estados que compõem o Grupo dos Secretários de Estado da Segurança Pública (SulMaSSP) — Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul — definiram uma metodologia conjunta para coleta e análise de dados relacionados a desastres naturais e eventos climáticos extremos. A iniciativa foi apresentada no VI Encontro dos Secretários de Segurança Pública da Região Sul e estados parceiros, realizado em Foz do Iguaçu, no dia 24 de abril.
O debate sobre a integração ocorreu durante a avaliação dos trabalhos dos Grupos de Trabalho Permanentes, na sede do 9º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, no Oeste do estado. A proposta, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e envolvendo representantes das forças de segurança dos cinco estados, visa construir uma base integrada de informações. Essa base permitirá identificar padrões regionais, orientar políticas preventivas e aprimorar as ações conjuntas de preparação e resposta a desastres.
Cooperação ampliada para planejamento e resposta coordenada
Para o secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo de Tarso Sanson, a iniciativa representa um avanço na cooperação interestadual. “Quando os estados compartilham informações e constroem diagnósticos em conjunto, conseguem planejar ações mais eficientes e coordenadas”, afirmou. Segundo ele, essa colaboração possibilita antecipar cenários, direcionar recursos de forma estratégica e fortalecer a capacidade de resposta das instituições diante dos desafios comuns na região.
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O grupo estabeleceu uma metodologia padronizada para a coleta e análise dos dados, junto a um cronograma para que cada estado realize levantamentos em seus territórios. A expectativa é que o diagnóstico regional seja concluído entre seis e dez semanas, criando uma base de dados unificada que fundamentará estratégias integradas futuras.
Protocolo integrado guia atuação coordenada em situações de desastre
Os trabalhos seguem a Portaria Interministerial MIDR/MJSP nº 4/2025, que institui o Protocolo de Atuação Integrada em Situações de Desastre. Essa norma define os procedimentos para atuação conjunta dos órgãos responsáveis por socorro, resgate e assistência humanitária, além de estabelecer parâmetros para mobilização de recursos e cooperação entre as instituições.
O tenente-coronel do CBMPR Ícaro Gabriel Greinert destacou que o foco inicial do grupo é compreender detalhadamente a ocorrência dos desastres em cada estado. “É fundamental conhecer quais eventos acontecem, quando ocorrem com maior frequência e quais impactos causam”, explicou. A partir desse diagnóstico, será possível planejar ações preventivas, de preparação e resposta mais eficazes, além de fortalecer o apoio mútuo em momentos de crise.
Paraná serve como referência para metodologia integrada
Como base para a criação da metodologia, o grupo utilizou um levantamento elaborado a partir dos dados do Sistema da Defesa Civil do Paraná, que analisou uma década de ocorrências relacionadas a desastres no estado. Os registros indicam um padrão sazonal claro: entre setembro e novembro ocorreram 2.315 eventos, representando 42,1% do total, com predominância de vendavais e granizo. Já o período de janeiro a março concentrou 1.530 ocorrências (27,8%), principalmente enxurradas e alagamentos por chuvas intensas. Outubro foi o mês com mais registros, totalizando 1.197 ocorrências.
Identificar esses padrões possibilita direcionar ações preventivas antes dos períodos críticos, reduzindo os impactos para a população e aumentando a eficiência da resposta dos órgãos públicos.
Próximos passos reforçam integração e prevenção regional
A próxima etapa prevê que os demais estados participantes do SulMaSSP apliquem a metodologia conjunta. Após consolidar o diagnóstico regional, o grupo avançará na elaboração de propostas focadas em prevenção, preparação, resposta e reconstrução diante de desastres. Essa estratégia visa fortalecer a integração entre as forças de segurança e os órgãos de proteção e defesa civil, ampliando a capacidade de atuação coordenada na Região Sul.
