Experiência de três décadas no rock curitibano
Marcelus dos Santos, líder do Motorocker desde 1992, acumula mais de 30 anos de trajetória na cena do rock de Curitiba. A banda percorreu mais de 150 cidades e dividiu palcos com grandes nomes como Iron Maiden, Deep Purple, Motörhead, Guns N’ Roses e KISS. Agora, Marcelus canaliza essa experiência para apoiar novos artistas locais por meio do Curitiba Autoral Lab, iniciativa criada em parceria com o Clay Highway para oferecer estrutura profissional a bandas autorais da cidade e região, além de permitir que elas fiquem com a receita dos ingressos.
O que motivou a criação do Curitiba Autoral Lab
O projeto nasceu de uma percepção clara de Marcelus: as dificuldades enfrentadas no início da carreira ainda persistem para novos músicos. Segundo ele, faltava um palco profissional, equipamentos de qualidade, e principalmente um público disposto a conhecer as bandas autorais. “Tudo o que eu senti que me faltou na minha trajetória, eu resolvi colocar nesse projeto”, afirmou. A primeira edição do Lab já recebeu mais de cem inscrições, com 57 bandas confirmadas, demonstrando a força e diversidade da cena musical local.
A diversidade e o potencial da cena autoral de Curitiba
Um levantamento feito por Marcelus e a economista Sabrina Matos indicou cerca de 500 bandas autorais e aproximadamente 2 mil músicos em Curitiba, um número expressivo que revela a pluralidade musical da cidade. De pop rock ao metal, a variedade de estilos mostra o talento local, embora o principal desafio continue sendo a oferta de oportunidades e espaços para essas bandas se apresentarem e crescerem.
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Do palco à internet: desafios e mudanças no mercado musical
Marcelus relembra que, no início da carreira, conquistar público significava enfrentar plateias que muitas vezes não conheciam a banda. “Você tinha que ganhar o público na raça”, recordou. Hoje, com a internet e as redes sociais, o alcance musical é muito maior, mas ele ressalta que isso não substitui a energia e a conexão gerada nos shows ao vivo. “No palco, você olha no olho, vê a reação, sente a energia”, reforçou.
Desafios das bandas autorais independentes
Outro ponto crítico destacado pelo músico é o modelo atual, no qual bandas autorais precisam pagar para abrir shows de artistas maiores, mesmo sem ter recursos para investir em equipamentos. Essa realidade contrasta com a trajetória do Motorocker, que teve a chance de abrir para grandes nomes e precisou conquistar um público que não havia comprado ingresso para vê-los. Para Marcelus, ampliar o espaço para artistas locais em grandes eventos é fundamental, chegando a sugerir uma lei municipal que obrigue contratantes a incluir bandas autorais nas aberturas de shows.
Construir uma carreira sólida no rock
Marcelus é prova viva de que é possível viver da música autoral, embora seja uma jornada que exige tempo, persistência e investimento. O Motorocker acumulou mais de 15 milhões de visualizações em suas músicas, resultado de décadas de trabalho. Nos primeiros anos, ele precisou financiar equipamentos e viagens com recursos próprios e tocar até sem cachê para conquistar espaço. “Eu sou prova, eu vivo do rock”, afirmou, destacando que acreditar no trabalho e construir uma história são essenciais para quem quer seguir carreira na música.
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Conselhos para novas bandas
Ao falar sobre os artistas em início de carreira, Marcelus enfatiza a importância da identidade e das experiências vividas. “Primeira coisa, olha a galera que você anda. Olha as pessoas que estão perto de você, as histórias que você vive. Escreva sobre eles”, aconselha. Além disso, reforça a necessidade de persistência e dedicação para alcançar os objetivos.
O futuro do Curitiba Autoral Lab
O projeto ainda está em fase inicial, mas Marcelus já planeja uma expansão que inclui um grande festival na Pedreira Paulo Leminski, com a participação de um artista nacional e pelo menos seis bandas autorais de Curitiba. A ideia é proporcionar a essas bandas a experiência de tocar para uma multidão, algo que ele mesmo vivenciou e considera fundamental para a formação artística. “Eu quero ver eles lá”, concluiu, mostrando que o Curitiba Autoral Lab é um verdadeiro legado para a nova geração de músicos da cidade.
