Recorde histórico nas urnas e o papel das redes sociais
Jeffrey Chiquini (Novo) entrou para a história do Paraná ao se tornar o deputado federal mais votado do estado nas eleições de 2026, conquistando 423.377 votos e superando o antigo recorde de Ratinho Junior (PSD). Advogado criminalista, Chiquini construiu uma base sólida nas redes sociais, reunindo cerca de 2,4 milhões de seguidores no Instagram, além de perfis de apoio que somam mais 600 mil seguidores. Esse alcance digital teve papel fundamental na conversão de curtidas em votos, segundo o professor Achiles Batista Ferreira Junior, especialista em marketing político.
Como seguidores se transformam em eleitores
Para Achiles, o segredo da conversão está na identificação entre o público e o discurso do candidato. Ele define o conceito de “audiência pura” como aquela que acompanha um perfil exatamente pelos temas e ideias que ele defende. Segundo o especialista, a transferência de seguidores para eleitores nas redes sociais só ocorre quando essa conexão é verdadeira e relacionada ao conteúdo político.
O professor exemplifica que um influenciador que publica sobre música ou medicina pode ter muitos seguidores, mas isso não significa que esses seguidores se tornarão eleitores em uma disputa política, pois não há uma “audiência pura” nesse contexto.
No caso de Chiquini, a maior parte de sua base digital acompanha suas opiniões jurídicas e políticas, o que facilita a conversão. Sua notoriedade cresceu principalmente após atuar como advogado de presos do episódio do 8 de Janeiro, incluindo a defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro condenado por tentativa de golpe de Estado.
O efeito do caso Deltan na campanha de Chiquini
Outro fator que ampliou o alcance de Chiquini foi o apoio público ao ex-procurador Deltan Dallagnol. Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu Dallagnol de fazer campanha enquanto sua candidatura não era julgada, Chiquini e outros candidatos, como Guilherme Kilter (Novo), passaram a se manifestar em seu nome nas redes sociais.
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Essa estratégia mobilizou eleitores que apoiam Dallagnol, fortalecendo a imagem positiva do ex-procurador e beneficiando diretamente a campanha de Chiquini.
Direita e redes sociais: vantagem na comunicação digital
Segundo Achiles, desde 2018, com a ascensão de Jair Bolsonaro (PL), a direita tem demonstrado maior habilidade em usar as redes sociais para fins políticos. A direita aproveita o apelo emocional e a rapidez na circulação de conteúdos que exploram conflitos e controvérsias, o que facilita o engajamento e a mobilização de eleitores.
O especialista destaca que essa capacidade resulta de equipes organizadas e comunicação ágil, sem que isso signifique superioridade política, mas sim uma maior eficácia nessa área específica. Chiquini exemplifica essa habilidade na prática.
Presença digital além do espectro da direita
Achiles também reconhece que políticos progressistas têm alcançado presença significativa nas redes sociais. Ele cita o deputado federal eleito Renato Freitas (PT) e a campanha de Requião Filho (PDT) ao Governo do Paraná como exemplos de sucesso digital.
Outros nomes do campo de esquerda com grande repercussão são a Miss Preta (PT) e Ana Julia (PT), mostrando que a diversidade política está presente nas plataformas digitais.
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Meios tradicionais e seu papel nas redes sociais
A influência crescente das plataformas digitais não elimina a importância da televisão e do rádio nas campanhas eleitorais. Entrevistas, debates e programas eleitorais continuam a alimentar conteúdos que ganham vida própria nas redes sociais, por meio de vídeos curtos que alcançam públicos além da transmissão original.
Essa dinâmica permite que temas e falas dos candidatos tenham repercussão prolongada, tornando a produção e distribuição rápida de conteúdo um diferencial estratégico nas campanhas.
Polarização e desafios nas redes sociais
Achiles alerta para os efeitos da polarização nas redes sociais, que tendem a aproximar pessoas com opiniões semelhantes, reforçando bolhas ideológicas e dificultando o debate público. Apesar disso, ele prevê que a influência digital nas eleições continuará a crescer, como evidenciado no caso de Jeffrey Chiquini.
Ele ressalta que o número de seguidores isoladamente não garante sucesso nas urnas, sendo essencial considerar o contexto político, a identificação do eleitorado com o candidato e os eventos que ampliam sua visibilidade.
