Transtornos emocionais e o impacto no peso corporal
Pesquisas recentes indicam que ansiedade e depressão podem alterar o funcionamento do organismo, resultando em mudanças no peso, seja pelo aumento ou redução. No Paraná, essa preocupação se traduz no crescimento dos atendimentos em saúde mental, que atingiram 2.551.463 em 2025, um aumento de 19% em relação aos 2.144.086 atendimentos registrados em 2024, conforme dados divulgados pela Agência Estadual de Notícias.
O mecanismo por trás dessas mudanças envolve alterações hormonais, distúrbios do sono e compulsão alimentar, que afetam o metabolismo de maneira distinta para cada pessoa. A médica Márcia Simões, da Eden Clinic, explicou que a ansiedade eleva o cortisol, hormônio ligado ao estresse, que pode desacelerar o metabolismo e dificultar a queima de gordura.
Como o organismo reage ao estresse crônico
O estresse prolongado mantém níveis elevados de cortisol, interferindo no metabolismo e no armazenamento de energia, conforme reportagem do Jornal da USP. Um especialista em neuroendocrinologia ouvido pela publicação destaca que o aumento do cortisol pode estimular o consumo de alimentos altamente calóricos, como doces e gorduras, impactando diretamente o peso corporal.
Um estudo da Revista da Escola de Enfermagem da USP investigou adultos com sobrepeso ou obesidade e identificou uma relação positiva entre ansiedade, qualidade do sono e compulsão alimentar, presente em 60% dos participantes avaliados pela escala ECAP. A pesquisa sugere que sintomas de ansiedade e depressão influenciam a insônia e a compulsão alimentar periódica, possivelmente devido a desregulações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, afetando o controle do apetite em indivíduos estressados.
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Relação entre saúde mental e obesidade
O Hospital São Francisco Xavier (FSFX) aponta que a conexão entre obesidade e alterações psicológicas é bidirecional. Sintomas como desânimo e alterações no apetite podem prejudicar o autocuidado, facilitando o ganho de peso. Entretanto, o impacto varia conforme a pessoa e o quadro clínico.
Fontes como o site português Trofa Saúde indicam que episódios depressivos podem levar tanto ao aumento quanto à diminuição do apetite, sem explicação definitiva para essa diferença. Além disso, informações do blog da Marjan Farma ressaltam que a ansiedade de curta duração tende a causar redução do apetite, enquanto outras manifestações desse transtorno podem resultar em maior consumo alimentar ou perda de peso involuntária.
O endocrinologista Alexandre Acuña destaca que alguns antidepressivos usados no tratamento dessas condições podem provocar aumento de peso como efeito colateral. A Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR), relaciona transtornos de ansiedade e transtorno bipolar a possíveis causas do ganho de peso.
Avanços na rede pública de saúde mental do Paraná
O Paraná mantém uma estrutura robusta para atendimento em saúde mental, com 1.651 leitos em hospitais psiquiátricos especializados e 73 leitos em hospitais gerais destinados a essa área, segundo a Agência Estadual de Notícias. A rede inclui ainda 160 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 45 ambulatórios, 14 serviços residenciais terapêuticos, 6 Unidades de Acolhimento e 7 Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR).
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Esses serviços atendem diversas condições, como depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e problemas relacionados ao uso de crack, álcool e outras drogas. A Sesa destaca que as mulheres apresentam maior prevalência de depressão e ansiedade, enquanto os homens são mais afetados por transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e uso de substâncias.
Dados recentes sobre internações e perspectivas futuras
Um estudo da Revista Cereus, publicado em 2026 e baseado em informações do Observatório de Saúde do UMANE, revelou que o Paraná registrou entre 2020 e 2024 taxas de 17,4 a 23 internações por depressão a cada 100 mil habitantes, com pico em 2023. Os autores vinculam esse aumento aos impactos diretos e indiretos da pandemia de Covid-19.
Com foco na ampliação do cuidado, a Secretaria de Estado da Saúde planeja treinar, até 2026, profissionais em todas as 22 Regionais de Saúde do Paraná no uso do manual mhGAP, da Organização Mundial da Saúde. Este material orienta as equipes da Atenção Primária para a identificação e manejo de pessoas com depressão, ansiedade e outras condições de saúde mental, fortalecendo o atendimento e prevenção no âmbito local.
