Proposta de Delação Está Sob Análise da PF
Após sua transferência para uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Virgílio de Oliveira Filho apresentou à PF uma proposta de delação que inclui uma lista de assuntos que pretende expor. Na proposta, ele admite a prática de crimes e já prestou os depoimentos iniciais. Se a Polícia Federal aceitar o acordo, o material será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator das investigações sobre as fraudes no INSS descobertas pela Operação Sem Desconto, deflagrada há um ano.
Antes da homologação do acordo, Mendonça deverá consultar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para obter parecer sobre o caso. Além de Oliveira Filho, outro investigado, o empresário Maurício Camisotti, envolvido com algumas entidades que realizaram descontos irregulares nas aposentadorias e pensões do INSS, também busca a validação de seu acordo de colaboração premiada, que já foi assinado com a PF e está pendente de homologação por Mendonça.
Investigação Aprofunda Conexões entre INSS e Banco Master
A potencial delação de Virgílio de Oliveira Filho é vista como relevante pelos investigadores, tendo em vista que ele ocupava a posição de chefe da área jurídica do INSS e, portanto, possui amplo conhecimento sobre o esquema que ocorria dentro do órgão, incluindo a possível participação de políticos. O g1 apurou que um dos anexos da proposta de delação de Oliveira Filho menciona o Banco Master, identificado como um dos pioneiros na fraude de empréstimos consignados voltados para aposentados e pensionistas do INSS.
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Esse aspecto conecta duas das principais investigações em andamento no Supremo: a que se refere às fraudes no INSS e a que diz respeito ao Banco Master, com Mendonça atuando como relator de ambas. O relato de Oliveira Filho indica que, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, foi editada uma medida provisória — conhecida internamente pelos funcionários do INSS como ‘MP do Master’ — que teria favorecido o banco na realização de contratos de empréstimo consignado, cujas parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamentos do INSS.
Operação Compliance Zero e Prisão de Daniel Vorcaro
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso preventivamente no início de março, durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes em transações com o Banco de Brasília (BRB) e com fundos de investimento. Atualmente, o ex-banqueiro se encontra na Superintendência da PF em Brasília, onde também está em negociações para um acordo de delação premiada.
Virgílio de Oliveira Filho foi detido em 13 de novembro de 2025, durante a 4ª fase da Operação Sem Desconto. Neste momento, as investigações da PF revelaram que o ex-procurador-geral do INSS recebeu aproximadamente R$ 11,9 milhões por meio de empresas e contas bancárias de sua esposa, provenientes de firmas associadas às entidades investigadas por realizar descontos irregulares nas aposentadorias.
A esposa de Oliveira Filho, Thaísa Hoffmann, que é médica, também chegou a ser presa. Além dos pagamentos vultosos, a PF descobriu que o lobista Antônio Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’ e também sob investigação, transferiu um veículo de luxo para o nome dela. Atualmente, Thaísa se encontra em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
