Despedida e homenagens
Gracindo Júnior, nome artístico de Epaminondas Xavier Gracindo, faleceu aos 83 anos. O velório será realizado amanhã (3) a partir das 12h10 no Crematório e Cemitério da Penitência, com cremação prevista para as 14h10. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele construiu uma carreira sólida no rádio, teatro, televisão e cinema ao longo de várias décadas.
Início da carreira e diversidade artística
Ainda adolescente, Gracindo Júnior iniciou sua trajetória artística na Rádio Nacional, em 1959, aos 15 anos, atuando como ator, redator e disc-jóquei. Embora tenha chegado a cursar psicologia, decidiu seguir o caminho das artes, expandindo sua atuação para o teatro e a televisão. Além de atuar, também se dedicou à direção e supervisão de dramaturgia.
Durante o período da ditadura militar, Gracindo Júnior, que era militante do Partido Comunista, teve sua carreira interrompida quando foi cassado em 1964, impedido de trabalhar no rádio. Apesar disso, já contava com experiência em emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi.
Carreira na TV Globo e papéis marcantes
Gracindo Júnior foi um dos primeiros atores contratados pela TV Globo, ainda antes da estreia oficial do canal, que aconteceu em abril de 1965. Participou de várias novelas da primeira fase da emissora, como “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966), “A Rainha Louca” (1967), “A Próxima Atração” (1970) e “Os Ossos do Barão” (1973). Também atuou em “O Bem-Amado” (1973), de Dias Gomes, e em “Supermanoela” (1974).
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Em 1976, conquistou grande destaque ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz. A trama, que se passa em três épocas distintas, revelou uma dinâmica especial ao colocar pai e filho como versões jovem e idosa do mesmo personagem. Nesse mesmo ano, estreou como diretor de teatro com a peça “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho, e dirigiu a peça “É”, de Millôr Fernandes, em Portugal.
Direção e trabalhos diversos
Ao retornar ao Brasil, em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo, acompanhando a produção inicial de “A Sucessora”, de Manoel Carlos. Nos anos seguintes, alternou trabalhos como diretor e ator, comandando produções como “Memórias de Amor”, “Marron-Glacé” e “Os Trapalhões”. Foi pioneiro na direção e apresentação dos primeiros clipes musicais exibidos no “Fantástico”.
Além disso, homenageou o pai com a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai” (1980) e dirigiu as últimas peças em que Paulo Gracindo atuou: “Num Lago Dourado” (1991) e “A História é uma História” (1993).
TV Manchete e retorno à Globo
Em 1984, Gracindo Júnior integrou o elenco da TV Manchete, interpretando Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos”. Dois anos depois, participou da novela “Dona Beija”, vivendo Antônio Sampaio, e esteve em outras produções da emissora como “Tudo ou Nada” (1987), “74.5” e “Uma Onda no Ar” (1994).
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Retornou à Globo para atuar em minisséries e novelas, entre elas “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987), “O Salvador da Pátria” (1989), “Araponga” (1990), “Rainha da Sucata” (1990), “Deus nos Acuda” (1992), “Explode Coração” (1995) e “Anjo de Mim” (1996). Na década de 2000, participou de “Esplendor” (2000), “Aquarela do Brasil” e “Celebridade” (2003), interpretando Ubaldo Quintela, um personagem que havia passado 15 anos preso. Em 2004, atuou em “Como uma Onda”.
Atuação na Record e legado teatral
A partir de 2006, Gracindo Júnior integrou o elenco da Record em produções como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), além da minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente, manteve uma intensa atuação no teatro, participando de mais de 20 peças como ator, produtor ou diretor.
Gracindo Júnior deixa um legado importante na história da televisão e do teatro brasileiro, com uma trajetória marcada pela diversidade de talentos e dedicação às artes cênicas.
