Paraná: um dos locais mais atingidos por tornados no mundo
O Paraná já contabiliza 10 tornados confirmados em 2026, com a possibilidade de um décimo primeiro fenômeno ainda em análise pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Este dado reforça o posicionamento da região Sul do Brasil — formada por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — como a segunda mais propensa do planeta à ocorrência desses eventos extremos. Essa zona se estende também ao Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, ficando atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos, que concentra cerca de 80% dos tornados mundiais.
Destruição e resposta em Piraí do Sul
O tornado que atingiu Piraí do Sul, na Região dos Campos Gerais, destruiu 20 casas na área rural a cerca de 30 km do centro da cidade, afetando comunidades como Capinzal, Jararaca, Fundão e o bairro Santo André, que ficou isolado após o evento. A Defesa Civil do Paraná está atendendo a população desde a manhã de domingo (9), distribuindo lonas para cobrir as estruturas destelhadas e coordenando as operações a partir do quartel da Brigada Comunitária. Apesar do impacto, não há registro de vítimas, mas 20 pessoas ficaram desalojadas e estão abrigadas em residências de parentes.
Equipes da prefeitura trabalham para restabelecer acessos às comunidades afetadas, removendo árvores e galhos das rodovias com o auxílio de máquinas, enquanto o Simepar realiza levantamentos de danos no terreno para entender melhor o alcance do desastre.
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Fonte: joinews.com.br
Sequência de tornados e alertas no Paraná
Entre 28 e 30 de junho, o Paraná confirmou seis tornados em cidades como Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva. Destaca-se o tornado de categoria F2 em Reserva, considerado de danos consideráveis, e outros de categoria F1 em Nova Cantu, Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Um segundo tornado atingiu Inácio Martins e avançou até Cruz Machado, mas sem causar danos registrados. No início do ano, três tornados foram identificados em Mercedes, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu.
Entendendo o corredor de tornados no Sul do Brasil
Francisco Mendonça, consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que o Paraná está situado em uma das áreas mais propícias para ventos extremos na América do Sul. A região corresponde a um corredor que inclui as calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além do Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. São terrenos planos e extensos que favorecem a formação de ciclones e tornados, fenômenos que se intensificam devido às condições climáticas globais.
Mendonça destaca que o ano de 2025 registrou o maior aumento da temperatura dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul, que não resfriaram na passagem para 2026. Isso mantém a atmosfera altamente energética, contribuindo para ventos mais fortes e a formação desses eventos meteorológicos extremos.
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Fonte: belembelem.com.br
Tragédia recente e avanço na pesquisa sobre tornados
Em novembro do ano passado, um tornado F4 devastou Rio Bonito do Iguaçu, com ventos estimados em até 400 km/h, causando a morte de sete pessoas e deixando mais de 800 feridos. Até o início dos anos 2000, registros e estudos sobre tornados no Brasil eram escassos. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP), Ernani Nascimento, lembra que a pesquisa ganhou força com uma nova geração de especialistas e que o primeiro registro fotográfico de um tornado no Brasil data de 1975, no Rio Grande do Sul.
O avanço científico permite hoje um monitoramento mais detalhado e o desenvolvimento de políticas públicas para minimizar danos. O fenômeno climático El Niño, que aquece o Oceano Pacífico e provoca instabilidade atmosférica no Sul do Brasil, deve continuar até o final do ano, potencializando a ocorrência de tempestades severas e tornados.
O que são tornados e como são classificados
Tornados são colunas de ar giratórias que se estendem de nuvens até o solo durante tempestades intensas. Com duração curta, de até 30 minutos, apresentam ventos de altíssima velocidade e grande poder destrutivo. A Escala Fujita classifica os tornados de acordo com os danos causados, indo de F0, com ventos entre 65 km/h e 116 km/h e danos leves, até F4, com ventos superiores a 332 km/h e danos devastadores.
