Crise financeira acelera renúncia presidencial no Paraguai
A renúncia do presidente do Paraguai, anunciada logo após deputados da oposição apresentarem pedidos de impeachment, reflete a instabilidade provocada pelo colapso do Ueno Bank. A falência da instituição deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às suas contas, conforme reportou o jornal ABC Color.
Em sessão imediata, a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment contra o presidente com 78 votos favoráveis. A decisão segue agora para o Senado, que deverá votar sobre o assunto. Já o pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana foi rejeitado e arquivado durante a mesma reunião.
Impactos institucionais e acusações de conflito de interesse
Ao comunicar sua renúncia, o presidente mencionou diretamente a instabilidade financeira do país, sem assumir responsabilidade direta pela crise. Destacou a importância da devolução dos depósitos aos clientes e a necessidade de o fundo de garantia cumprir seu papel, além da proteção dos recursos públicos.
O processo de renúncia precisa ser aprovado pelo Congresso paraguaio. Caso isso ocorra, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá a presidência. Conforme a Constituição Nacional, o ex-presidente que deixa o cargo sem destituição torna-se senador vitalício, posição que ficará com Peña.
Peña assumiu a presidência em 2023, com mandato previsto até 2028. A imprensa local informa que ele era acionista da Ueno Holding até 2025, fato que agrava as suspeitas em torno da crise.
Investigação e medidas após intervenção no Ueno Bank
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank em 2 de novembro, devido à falta de solvência da instituição, que gerenciava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos. A intervenção resultou na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, no dia 3 de novembro.
O presidente Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para a presidência do Banco Central e encaminhou a nomeação para aprovação no Congresso. Paralelamente, o Ministério Público abriu investigação criminal, com a detenção de oito dirigentes do banco, incluindo o presidente Juan Manuel Gustale e o empresário Miguel Vázquez.
Parlamentares da oposição atribuem ao governo responsabilidade pela crise no Ueno Bank, denunciando conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional durante a gestão do caso.
