“Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” segue em cartaz em Curitiba
Até o dia 4 de outubro, o espetáculo “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” pode ser visto na caixa cultural curitiba. A peça, que acontece de quinta-feira a sábado às 20h e aos domingos às 19h, é inspirada na obra homônima do líder indígena Ailton Krenak. A montagem entrelaça arte, memória e questões urgentes que atravessam os povos indígenas no Brasil.
Uma jornada pela ancestralidade indígena
Dirigida por João Bernardo Caldeira e estrelada pelo ator Yumo Apurinã, a peça acompanha a trajetória de um homem indígena que busca restabelecer a conexão com suas raízes, afetadas pela evangelização na infância. Em cena, Yumo interpreta a si mesmo, conduzindo o público por uma narrativa que mistura experiência pessoal e os desafios enfrentados por comunidades indígenas atualmente.
Os ingressos estão disponíveis na bilheteria da CAIXA Cultural Curitiba e também pela plataforma Bilheteria Digital, com preços a partir de R$10 (meia-entrada) mais taxa administrativa.
A revolução de Ailton Krenak e a luta contra estereótipos
Ailton Krenak, líder do povo Krenak, escritor e ambientalista, é membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Mineira de Letras. Em 1987, durante a Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Federal de 1988, ele protagonizou um momento histórico ao pintar o rosto de preto na tribuna, protestando contra retrocessos nos direitos indígenas.
A Constituição de 1988 mudou radicalmente ao reconhecer os direitos originários dos povos indígenas, rompendo com políticas que antes buscavam apagar suas culturas e integrá-los à força à sociedade nacional. Para o diretor Caldeira, “a presença de Ailton Krenak na Assembleia Constituinte simboliza a luta pela existência dos povos indígenas enquanto povos, em face da pressão para que deixassem de sê-los”.
Leia também: Espetáculo “Ideias para adiar o fim do mundo” traz reflexões sobre ancestralidade e crise climática
Leia também: Paraná registra segundo maior número de casos de violência política no período pré-eleitoral
Caldeira também destaca que a peça expõe a violência estrutural do Estado brasileiro, marcada pela distinção entre corpos considerados civilizados e aqueles destinados ao apagamento, à expropriação e à morte.
Desafiando estereótipos na atuação de Yumo Apurinã
A trajetória pessoal do ator Yumo Apurinã é parte fundamental do espetáculo. Ele relata os estereótipos que ainda enfrentam os indígenas: “Perguntas como ‘Você é índio de verdade?’, ‘Come carne de macaco?’ e ‘Por que não está na sua aldeia?’ são comuns no meu dia a dia. Parece que há uma lupa de verificação sobre minha identidade indígena, questionando se mereço ou devo estar aqui.”
Yumo acredita que o protagonismo indígena em peças como essa ajuda a remover essa “lupa” e a validar histórias indígenas autênticas no teatro e na cultura.
O pensamento de Krenak como inspiração
Ao refletir sobre as ideias de Ailton Krenak, Yumo o vê como um porta-voz que conecta diferentes seres e histórias. “Ele representa não só o povo Krenak, mas muitas outras comunidades, territórios e modos de existir. Essa conexão não é só dele, mas de todos nós que caminhamos em constelações”, afirma o ator.
Leia também: Curitiba recebe espetáculo de dança contemporânea Momix com ‘Botanica’
Leia também: Espetáculo “Pedacinho de Tudo” traz encanto gratuito para Curitiba com fábula de tecidos
Temas atuais: crise climática e conexão com a natureza
A montagem também aborda a crise climática e reforça a importância da relação entre os povos indígenas e a natureza. O diretor João Bernardo Caldeira convida o público a ampliar sua percepção e experimentar novas formas de se relacionar com o meio ambiente: “Talvez reflorestar nossos imaginários seja recuperar a capacidade de nos espantar com o mundo e inventar outras maneiras de habitá-lo.”
Caldeira reforça o papel do teatro em nomear e dar sentido a conceitos como “crise climática” e “colonização”, evitando que se tornem termos vazios diante das catástrofes que enfrentamos. “Não há floresta sem os povos que nela habitam”, conclui.
Sobre o espetáculo
“Ideias Para Adiar o Fim do Mundo” apresenta a história de um indígena da Aldeia Mawanaty, na Amazônia, que revisita sua trajetória pessoal e a de seu povo, confrontando as narrativas que moldaram o Brasil. A montagem levanta a pergunta essencial: somos mesmo uma humanidade? A peça é inspirada nas obras do líder indígena Ailton Krenak.
Mais informações estão disponíveis no site oficial da CAIXA Cultural Curitiba e nos perfis do Instagram vinculados à produção: @adiarofim, @yumoapurina e @joaobernardocaldeira.
