Curitiba institui Dia de Conscientização e Combate ao Relacionamento Abusivo
Na sessão desta segunda-feira (22), a Câmara Municipal de Curitiba aprovou em primeiro turno, por unanimidade, o substitutivo geral do projeto de lei que institui o Dia Municipal de Conscientização e Combate ao Relacionamento Abusivo. O texto, de autoria do vereador Toninho da Farmácia (União), foi aprovado com 28 votos favoráveis e estabelece a data de 5 de junho para essa importante iniciativa.
A data escolhida, uma semana antes do Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, tem o objetivo simbólico de reforçar a conscientização sobre a importância de relações afetivas saudáveis e a identificação precoce de sinais de abuso. Segundo o substitutivo, a inclusão da data no Calendário Oficial de Curitiba visa promover debates, reflexões e ações interinstitucionais que envolvam a sociedade e as famílias afetadas por relacionamentos tóxicos.
Defesa da proposta e importância da conscientização
Durante a defesa da proposta no plenário, Toninho da Farmácia destacou que muitas vezes o abuso começa silenciosamente dentro de casa ou mesmo nos estágios iniciais do namoro. Ele explicou que a pessoa pode não perceber que está em uma relação abusiva até que o controle e a invasão de privacidade se tornem frequentes. “A pessoa começa a achar que a situação é normal e, aos poucos, vai se acostumando com o dia a dia, com a outra pessoa tendo domínio sobre a vida dela”, afirmou.
O vereador ressaltou ainda a escolha estratégica da data, próxima ao Dia dos Namorados, para reforçar a mensagem de que “ninguém é propriedade de ninguém”. Ele enfatizou que o relacionamento deve ser fonte de felicidade e respeito, e que a conscientização pode incentivar vítimas a reconhecerem situações abusivas e buscarem ajuda segura.
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Vereadoras destacam a rede de apoio e enfrentamento à violência
A vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL) votou a favor da aprovação e enfatizou os desafios enfrentados por mulheres para romper com relações violentas. Ela compartilhou sua experiência em delegacias, mostrando que muitas vítimas chegam a registrar denúncias diversas vezes, mas acabam desistindo por medo ou pressão.
Rafaela Lupion (PSD), procuradora da Mulher adjunta da Câmara Municipal de Curitiba, ressaltou a relevância de políticas públicas eficazes e a integração com a Casa da Mulher Brasileira, reforçando a necessidade de cooperação entre sociedade civil, poder público e terceiro setor para combater a violência contra a mulher.
Andressa Bianchessi (União) alertou para a gravidade da violência doméstica no Paraná, com dados que indicam que oito mulheres são agredidas por hora no estado. Ela também citou casos em que agressões envolvem ameaças contra animais de estimação, o que pode forçar vítimas a permanecerem em ciclos de violência. A vereadora destacou que a violência frequentemente começa de forma verbal e emocional antes de se tornar física.
Meri Martins (Republicanos) chamou atenção para a violência psicológica, que mina a autoestima das mulheres por meio de humilhações e constrangimentos. Ela acredita que a conscientização é fundamental para que as vítimas reconheçam o abuso e busquem ajuda. Meri também mencionou sua iniciativa legislativa que resultou em lei municipal para defesa pessoal de mulheres.
Fonte: atividadenews.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Debate com apoio de governo e oposição
O vereador Jasson Goulart (Republicanos) apoiou o projeto, destacando que a ação municipal deve focar na orientação e na conscientização da população. Ele compartilhou experiências jornalísticas que evidenciam o padrão recorrente de escalada da violência em relacionamentos.
Serginho do Posto (PSD), líder do Governo, também manifestou voto favorável, afirmando que a violência em relacionamentos não se limita à agressão física, mas inclui abusos psicológicos e financeiros, que têm crescido exponencialmente.
Na oposição, Camilla Gonda (PSB) reforçou que o combate à violência contra a mulher precisa abranger todas as formas de agressão, não apenas as físicas, e destacou a importância da denúncia, da rede de apoio e da independência financeira das vítimas. A vereadora defendeu ainda que a Câmara fortaleça o acesso à Casa da Mulher Brasileira, ao Judiciário e ao acolhimento institucional, ressaltando que vítimas não devem ser julgadas ou culpabilizadas.
Com a aprovação unânime em primeiro turno, o projeto retorna ao plenário para a segunda discussão nesta terça-feira (23), mantendo o compromisso da Câmara Municipal de Curitiba com a proteção e o respeito às mulheres e à promoção de relacionamentos saudáveis.
