Paraná registra alta em processos de violência política de gênero
Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabilizou 177 processos relacionados à violência política de gênero em todo o país. O Paraná aparece como o segundo estado com maior número de casos, somando 19 processos, ficando atrás apenas de São Paulo, que lidera com 29 registros.
Embora as ocorrências não tenham necessariamente acontecido em 2026, todos os processos foram formalmente registrados este ano e apresentados pelo TSE durante um evento da Justiça Eleitoral em 22 de agosto. Na ocasião, também foi lançado um painel que consolida dados de denúncias do Ministério Público Federal (MPF) e processos em tramitação na Justiça Eleitoral, reforçando o compromisso com a transparência e o combate a essa forma de violência.
Iniciativas e desafios para combater a violência política contra mulheres
Além dos processos autuados pelo TSE, o MPF possui 34 casos registrados em 2026, sendo dois deles no Paraná. Para reforçar a prevenção, o TSE lançou o Protocolo de Ação Conjunta com a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), focado em combater a violência política de gênero.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou que o número oficial pode ser apenas a ponta do iceberg, devido à subnotificação. Muitas mulheres ainda não reconhecem que são vítimas ou têm receio de denunciar por medo ou pela estrutura de poder que enfrentam. “Informação é proteção”, afirmou, ressaltando a importância de conscientizar para ampliar o combate a esses crimes.
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Casos recentes evidenciam o problema no Paraná
Dois episódios recentes ilustram a violência política de gênero no Paraná. Em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado, a candidata a deputada federal Luciana Rafagnin (PT) sofreu ataques contra sua campanha em 18 de setembro. O comitê foi invadido, materiais de campanha foram queimados e um windbanner destruído. As imagens da queima foram gravadas e divulgadas nas redes sociais, causando grande repercussão.
Segundo Luciana, uma integrante da equipe precisou se abrigar em um carro por medo de agressões. A candidata registrou boletim de ocorrência e acionou a Justiça Eleitoral local, solicitando investigação, inquérito e denúncia formal por violência política de gênero.
“Em mais de 30 anos de vida pública, nunca passei por algo assim. Não quero que o ódio se espalhe em nossa comunidade”, declarou Luciana.
Outro caso envolve a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT), que apresentou, em 17 de setembro, ao Ministério Público Eleitoral do Paraná, uma notícia-crime contra os candidatos Deltan Dallagnol, Filipe Barros e Jeffrey Chiquini. A denúncia aponta ataques sexualizados, insultos à aparência e campanhas de degradação nas redes sociais entre março e setembro de 2026.
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Entre os conteúdos denunciados, estão vídeos no TikTok, Instagram e Facebook com referências sexuais, imagens manipuladas por inteligência artificial que a desumanizam e uma gravação com gritos sexuais direcionados diretamente à candidata. A denúncia se baseia no artigo 326-B do Código Eleitoral e na jurisprudência do TSE que define esses atos como violência política de gênero.
Perfil das candidatas e reflexos nas eleições
Nas eleições de 2026, as mulheres representam 35% das candidaturas em todo o Brasil, com 7.364 candidatas entre 20,9 mil registros. No Paraná, 361 das 1.063 candidaturas são femininas, cerca de 34%, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) divulgados em 17 de agosto.
O cenário revela avanços na participação política feminina, mas também evidencia a necessidade urgente de combater a violência de gênero para garantir um ambiente democrático seguro e justo para todas as candidatas.
